15-04-2012 18:25

SAI UMA TAÇA PARA A SOSSEGA

Benfica ganhou bem a um Gil Vicente, que também não esteve mal.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

Com tudo já (quase) desbaratado, ao Benfica restava o brilharete na Taça da Liga para salvar a face, se é que o presente troféu tem pernas para tanto, num contexto em que, por enraizados hábitos, Campeonato e "Taça do Jamor", já para não falar da UEFA, surgem, entre nós, como as únicas provas de verdade.

Ora, como a verdade é a soma de todas as partes, como diria o outro, Jesus entendeu (e bem) que esta parte, não sendo parte das mais convincentes, era, contudo, parte essencial para o consumação do todo, verdadeiro, claro. Antes que o mandassem para outra parte no final da época.

Desta forma, e numa tentativa de romper com o passado recente, o Benfica apresentou-se em Coimbra com uma equipa algo mudada, a começar na baliza, com o guardião da Taça, Eduardo, e com as ausências de Luisão (castigado), Emerson, J.Garcia, Cardozo e Gaitán, todas elas mais ou menos previstas, à excepção da do médio-ala, que, com Bruno César, tem dado boas indicações no seu flanco.

Apesar dessa pequena revolução de plantel, acrescida com o regresso de Aimar, o Benfica sentiu dificuldades em se impor a um Gil bem arrumado, decidido nos cortes e aqui e ali com laivos catalães de "tiki-taka", mas com claro défice na frente, onde o esforçado Hugo Vieira era presa fácil da dupla Jardel-Garay, face ao isolamento a que, em boa parte do tempo, esteve votado.

Coube a B.César o primeiro abanão do jogo, tirando partido do adiantamento dos gilistas, então mais atrevidos nas subidas. Garantida a posse de bola, foi questão de fazer todo o corredor esquerdo e servir Rodrigo, no outro extremo, para um golo espectacular. Estava decorrida a primeira meia hora.

Para a 2ª parte, Jesus tirou Nelson e fez entrar Gaitán, obrigando ao avanço no terreno de Aimar, para que Witsel assumisse o apoio aos dianteiros. Mas só com a entrada de Cardozo (saiu Aimar) é que a casa ficou arrumada, com o Benfica a controlar então de forma evidente.

A estas alterações respondeu Paulo Alves. Depois de José Luis ter rendido L. Manuel, visando o reforço ofensivo, as entradas de Guilherme e Vilela tornaram claro que o Gil não baixava os braços e voltava à discussão. Não se poderá falar, por isso, de displicência encarnada, mas antes de arreganho barcelense.

A verdade é que José Luis, em plena área e em pose acrobática, conseguiu desfeitear Eduardo, fazendo o 1-1 a escassos 12' do fim. Tocaram os alarmes no banco do Benfica e, de imediato, saltou Saviola (ainda lá anda!) para o lugar de Rodrigo. E não é que o argentino, à primeira, faz o 2-1? Uma oportuna emenda, após remate de Witsel e defesa de Adriano.

Uma vitória muito suada, mas merecida, do Benfica, que teve ocasiões várias (não muitas, ainda assim...) para dilatar a diferença, antes do golo do empate. O Gil Vicente foi um digno vencido, confirmou os seus créditos, mas revelou modéstia na finalização. Na retina, ficou apenas um bom remate, na 1ª parte, do lateral Caiçara. Pouco para a eficácia que era exigida.

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