25-08-2012 00:00

AINDA A FRUGALIDADE LEONINA

Mas o empate (1-1) na Dinamarca garante praticamente o apuramento.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

O jogo em Guimarães já tinha mostrado um Sporting de fraca eficácia ofensiva, mas esperava-se que, frente ao modesto Horsens da Dinamarca, as coisas se passassem de forma diferente. Afinal, manteve-se tudo na mesma. Quer a superioridade leonina, no que a posse de bola, remates e cantos diz respeito, quer a capacidade, neste caso falta dela, de acertar no alvo. Uma atracção pelo desperdício, que começa a ser confrangedora.

Nem foi preciso esperar muito tempo para confirmar um tal estado de coisas. Praticamente igual à de domingo passado - apenas saiu Capel e entrou Jeffrén - a equipa continua em maré de desacerto. Logo a abrir, Wolfswinkel teve uma perdida incrível que um ponta de lança como ele não se pode dar ao luxo de subscrever.

A desconcentração do holandês revelar-se-ia em outros lances, perante um adversário decidido nas discussões pela posse de bola, mas manifestamente carente do ponto de vista técnico e a revelar também largo défice na ocupação e exploração dos espaços.

Essa pecha não seria, porém, aproveitada pelo Sporting, que acabaria até por sofrer um golo (Spelmann, 15'), com culpas para a defesa leonina, Rui Patrício incluído. Era a nota insólita do jogo, uma vez que não estava nas previsões qualquer golo dos dinamarqueses e muito menos à custa de um sector, cujo eixo (Boulahrouz e Rojo) tem merecido os maiores aplausos.

O 1-0 ao intervalo ganhava assim contornos de desadequado, face à maior produção de jogo dos leões, mas, ao mesmo tempo, acabava por castigar o desatino destes no momento da finalização. Outras ocasiões surgiriam na 2ª parte, pensou-se. E a verdade é que, no recomeço, Rojo só não festejou o golo porque um tal Ronnow assinou uma defesa impossível, garantindo, na altura, a vantagem.

Uma vantagem que, por ironia, esteve quase a ser dilatada quando Fagerberg, que já fizera a assistência para o 1º golo, atirou, de forma inesperada, uma bola ao poste, mostrando assim que, por processos bem menos burilados, também é possível atingir os objectivos. E por aí se ficou o Horsens em matéria de ataque.

A partir desse momento, o Sporting assumiu as despesas do jogo de forma ainda mais declarada e, tirando partido das substituições (entraram Capel e Labyad), criou sucessivos lances de perigo que dariam para construir um triunfo folgado. Mas Ronnow voltou a fazer das suas, defendendo tudo, só não evitando que, após um bom trabalho entre os recém-entrados, Carrillo o batesse sem apelo.

Era o 1-1 que, conquistado fora, acaba por não ser mau de todo, mas que não iliba o Sporting de alguns pecadilhos exibicionais, de que a tal falta de pontaria e algum excesso de previsibilidade nos lances serão os mais notórios. A qualificação, contudo, e face à diferença de capacidades, parece assegurada.

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