17-01-2013 23:42

CASTELO AGUENTOU O ASSALTO

Aos guerreiros de Braga a sorte virou as costas.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

   Se é verdade que o expediente bracarense necessitava de tempo para demonstrar em campo a sua inegável mas não axiomática superioridade, já ninguém estaria à espera que a eficácia dos da casa o dispensasse completamente. De apenas 16 segundos, de facto, precisou Barrientos para fazer funcionar o marcador, se bem que tenha contado com a súbita oferta de Salino, sem a qual o golo não teria sido possível. Pelo menos desta forma prematura.

   Com um início tão arrebatador e tão dado à adrenalina, não surpreendeu que o tom da partida tivesse conhecido uma fase (longa) mais quezilenta, que a rivalidade entre os dois emblemas ainda mais acentuou. Pouco tempo útil teve, assim, o jogo, com muitas paragens para acudir aos mais necessitados, de que Kanu, rendido logo aos 8' (entrou Bamba), foi o exemplo mais notório.

   Também privado de Hugo Viana, mas logo de início e por outras razões, Peseiro colocou Amorim ao lado de Custódio, como médios mais recuados, enquanto Alan e a surpresa Ismaily tomaram conta dos corredores, surgindo no eixo Mossoró nas costas de Éder. A este dispositivo respondeu o Vitória com um idêntico 4.2.3.1, sem a exuberância nem a versatilidade do adversário, mas com a coesão e espírito de entreajuda que um golo de avanço sempre garante.

   Na 2ª parte, o Braga arriscou mais, como lhe competia, e a entrada de Ruben Micael, a render Salino, deu-lhe asas para outros voos. O Vitória, face ao crescendo contrário, optou de forma abnegada pela defesa do resultado, contando com um sector recuado, onde, além do acerto dos centrais, brilhou a grande altura o guarda-redes Douglas. Mesmo assim, os vimaranenses não escaparam ao susto, quando Éder atirou à barra naquele que poderia ter sido o golo do empate.

   Igualdade que acabaria mesmo por surgir a 5' do final, pelo inevitável Éder, já depois de João Capela, o árbitro, ter feito vista grossa a uma entrada faltosa, na área, de Addy sobre João Pedro. Nessa altura, o técnico bracarense já tinha voltado a mexer na equipa e, à troca de Mossoró por João Pedro, seguir-se-ia o abandono de Baiano e a entrada de Carlão, o que conferia ao Braga uma muito respeitável afirmação no plano atacante.

   O balanceamento ofensivo do Braga, porém, para lá de não colher dividendos, por força da espantosa "performance" de super-Douglas na baliza contrária, viria também a produzir efeitos negativos à retaguarda, onde passaram a ser concedidos mais espaços ao contra-ataque vitoriano. E se para o prolongamento o Braga parecia ser a equipa em melhores condições, a verdade é que foi o V.Guimarães, logo a abrir o tempo-extra, a facturar de novo e, outra vez, por Barrientos, fixando o resultado do jogo.

   Revelando um alto índice de aproveitamento - ao contrário do opositor, que desperdiçou várias ocasiões criadas - o Vitória assegurava assim o triunfo, frente a um Braga, mais acutilante e dominador (veja-se a estatística que lhe é favorável) e que tudo fez para não "levar" com esta prenda. A sorte não esteve com ele, nem o árbitro no tal lance. Nem tão pouco Douglas, o bom da fita...

   No outro jogo do dia, um Paços Ferreira algo displicente qualificou-se também, ao vencer o Gil Vicente, por 2-1. Apesar de reduzidos a 10 unidades, os barcelenses, que nunca foram inferiores ao seu adversário, ainda chegaram ao empate, mas o Paços, mesmo ao cair do pano, conseguiu o golo do triunfo, por Caetano, a arma secreta do conjunto da capital do móvel. Ainda se fabricam jogos assim... 

Opinião