08-04-2013 22:03

UM PASSEIO, QUEM DIRIA!

Afinal, em Olhão, não mandam os que lá estão.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

   É verdade que tal princípio se aplica às gentes para lá do Marão, mas não ficaria mal a versão sulista, que não necessariamente elitista e liberal. Mas este Olhanense, afogado em problemas mil, que até já ameaçou não comparecer aos seus compromissos, não parece estar à altura de uma resposta capaz, muito menos quando, pela frente, se lhe depara um adversário do estofo deste Benfica, que atravessa um momento de forma exuberante e não larga os olhos do título.

   Para este jogo, a principal novidade nos encarnados residiu na adaptação do habitual lateral direito, André Almeida, na faixa contrária, suprindo assim a ausência do castigado Melgarejo, o que diz bem da confiança que nele deposita o técnico Jesus. No resto, os "suspeitos do costume", com Ola John e Cardozo, desta vez, a ficarem no banco. Um muito versátil 4.1.3.2, que, desde cedo, tomou contas das operações e tratou de pressionar o adversário, já de si pouco dado a aventuras.

   De facto, a formação algarvia, ciente do poderio do antagonista, apresentou-se muito defensiva e apenas com Targino com características mais atacantes, quando no banco contava com Djaniny e Djalmir, para não falar de Leandro ou Ivanildo. A palavra de ordem era aguentar e o certo é que o Olhanense foi cumprindo o plano, embora fossem visíveis os fracos argumentos de que dispunha. Valeu, na altura, a atenção de Bracali e alguim espírito perdulário da dupla Rodrigo-Lima.

   Era, contudo, evidente que esta situação dificilmente se eternizaria. Para a 2ª parte, Cajuda manteve o figurino à espera de um milagre, mas o Benfica não embarcou em devoções e, claro, chegou mesmo à vantagem, por Salvio (52'), num remate cruzado e certeiro. Obrigado a rectificar, o técnico de Olhão lá se decidiu a apostar em David Silva e Leandro, sem que daí surgisse qualquer notícia. E nem o facto de ambos se integrarem na sua linha mais adiantada fez deles avançados que se vissem, uma vez que todo o conjunto da casa primou sempre por um posicionamento pouco afoito no terreno.

   O 2-0 (Matic,64') acabou mesmo com as dúvidas, que, a bem dizer, nunca as houve e aí, sim, pôde o Benfica iniciar a gestão do plantel, fazendo descansar quem mais necessitava, tendo em conta o próximo compromisso europeu. Uma vitória por certo mais fácil do que se aguardava e mais curta do que poderia ter sido. O Benfica está irresistível, mas também não era motivo para um Olhanense tão ausente.

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