18-04-2014 20:02

Um triunfo para a História

Benfica mereceu apuramento na Taça perante FC Porto sem alma.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

   A vantagem apenas tangencial com que os azuis e brancos se apresentaram na Luz não oferecia grandes garantias para um final feliz, mas sempre representava qualquer coisa. Como alguma coisa era também o zero imposto no Dragão ao ataque contrário, cláusula importante para um eventual desempate. A este ligeiro adiantamento do FC Porto na eliminatória respondia o Benfica com o factor-casa. Estava, assim, tudo em aberto.

   Enquanto a formação da Invicta surgiu sem problemas, na máxima força, o Benfica viu-se forçado a duas alterações, face às lesões de Luisão e Fejsa, substituídos por Jardel e André Gomes. Tais contrariedades não tiveram, porém, reflexo no desenrolar inicial do jogo. O Benfica começou melhor, mais dinâmico e pressionante, com o FC Porto a denunciar, logo aí, algum retraimento.

   A insistência encarnada cedo deu frutos, com um golo de Salvio (17'), a corresponder da melhor forma a um cruzamento da esquerda de Rodrigo, depois de se antecipar nas alturas ao gigante Alex Sandro. Quer este, quer também Fabiano não ficaram bem na fotografia. Parecia que a reviravolta era possível, dada a confiança e maior lucidez do Benfica, cujo miolo se sobrepunha ao congénere contrário, onde a dupla Defour-Herrera revelava muita ansiedade e desconforto.

  O minuto 27 encarregou-se de modificar radicalmente o cenário. Já punido (mal) com um cartão amarelo, Siqueira viu o segundo (bem), foi expulso e percebeu-se que nada iria ser como antes. Apenas com 10 unidades em campo, o Benfica viu-se obrigado a fazer entrar André Almeida para a lateral, o que fez reduzir a capacidade de fogo da equipa, de cujo ataque saiu Cardozo.

   O FC Porto passou então a controlar o jogo, os laterais, sobretudo Danilo, surgiram mais visíveis no apoio às acções ofensivas e o Benfica tratou de fechar o melhor possível o caminho para a sua baliza, através de um posicionamento rigoroso, com as linhas mais recuadas a não darem espaço ao adversário. Uma tarefa levada a bom termo, já que o golo dos visitantes nunca esteve à vista, se exceptuarmos um lance de Jackson que Artur conseguiu anular.

   A "via sacra" do Benfica haveria, contudo, de continuar na 2ª parte. E quando Varela (57') fez o empate, em jogada muito permitida pela defesa da casa, julgou-se que, então sim, estava tudo consumado. Com a vantagem de um golo, que, na prática, equivalia a dois, e ainda em superioridade numérica no terreno, não passava pela cabeça de ninguém que o FC Porto deixasse escapar a oportunidade e permitisse a recuperação do seu opositor.

   Mas o Benfica acreditou e respondeu de imediato, com um golo de"penalty", por falta ingénua de Reyes sobre Salvio, que Enzo transformou. Embora sempre atentos à retaguarda, a tentativa dos encarnados lá na frente não se revelara acidental, antes surgira englobada numa estratégia de contra ataque, que duas surtidas (malogradas) de Rodrigo bem ilustraram. E o espantoso era que o FC Porto não dava sinais de a poder contrariar.

   É verdade que Luis Castro ainda apostou no reforço do ataque, com Ghilas e o médio ofensivo Josué, procurando assim explorar o avanço no terreno do adversário, mas deveria tê-lo feito mais cedo e, sobretudo, com muito maior firmeza. Isto é, "matando" o jogo, em vez de apenas o tentar controlar. Assim, o Benfica aproveitou a banesse e fez o impensável 3-1 (André Gomes, 80'), em lance de génio, se bem que beneficiando do espaço concedido por uma defesa sem norte.

   O Benfica acabou por ganhar bem, com uma exibição de muita qualidade e de muita garra, excatamente o contrário do FC Porto, que não evidenciou nem uma coisa nem outra. A arbitragem de Pedro Proença não foi feliz ao enveredar pelos amarelos muito cedo, definindo logo aí um critério, num jogo que já se previa que podia ser "quente". Mais autoridade e menos cartolina não teria sido mau. 

Opinião