30-04-2014 01:02

Festival em Munique

Real Madrid com apuramento de luxo (4-0)

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

   Uma primeira parte verdadeiramente diabólica assegurou aos "merengues" um robusto triunfo (4-0) em casa do Bayern de Munique e consequente qualificação para a final da Champions. Lisboa irá, pois, assistir à grande gala do futebol europeu, com Ronaldo a abrilhantar, ele que, com dois golos, voltou a ser figura preponderante em nova jornada ao mais alto nível da UEFA.

   Com um golo apenas de desvantagem, embora sem ter marcado nenhum em Madrid, o Bayern tentou, de início, aplicar o seu futebol mortífero, feito de grande capacidade física, passes rápidos (e de rutura) e desmarcações constantes. A isso respondeu o Real com uma defesa sólida, com realce para os centrais Pepe e Sérgio Ramos, e lançamentos longos para as costas da defesa bávara. Solicitações que, embora nem sempre devidamente complementadas lá à frente, indiciavam a aposta nas transições, através de uma forma mais directa e mais rápida em chegar à baliza de Neuer.

   A expectativa durou, pode dizer-se, apenas um quarto de hora. Exactamente enquanto durou o nulo. Mas dois lances de bola parada (canto e livre) permitiram a Sérgio Ramos outras tantas cabeçadas fulminantes que colocaram o marcador em 0-2. Com o 1-0 de Madrid, a conta subia para três e, com a história dos golos fora, só o 4-2 salvava o Bayern. Em vinte minutos, a questão ficava, assim, resolvida.

   Com toda a artilharia apontada para as redes de Casillas, a equipa da casa descaracterizou-se em busca do golo com que pudesse iniciar a recuperação. Em vez do tiki-taka que Guardiola já ali implantou, a hora era de sofreguidão. Apesar do apoio de Schweinsteiger e Kroos, nem a classe de Ribéry ou a subtileza de Robben conseguiram sobrepor-se à defesa espanhola, frente à qual também Mandzukic e Muller revelaram total incapacidade.

   Mais devastadoras que as tentativas (vãs) do Bayern eram as respostas em contra-ataque do Real. E, numa delas, a marca subiu para 0-3, em lance que apanhou em contra-pé a defesa de Munique. Bale, sempre em grande evidência, ofereceu a Ronaldo a hipótese de golo que este não enjeitou. Uma 1ª parte "louca" que até poderia ter conhecido números mais dilatados, caso Bale e Ronaldo tivessem acertado com a baliza, depois de saídas arriscadas de Neuer, face ao descontrolo que já grassava à retaguarda alemã.

   No 2º tempo, o jogo naturalmente acalmou. O Bayern trocou o apagadíssimo Mandzukic por Martinez, passando Muller para o lugar daquele. Alteração que nada trouxe de novo quanto a eficácia finalizadora dos da casa, que, contudo, se mostraram mais empreendedores e com maior posse de bola. Um aspecto que resultava também do consentimento de um Real, ciente de que tudo estava já resolvido.

   Guardiola voltaria a apostar na frente, com as entradas de Pizarro, a versão 3 para o eixo de ataque, e de Goetze, saindo Muller e Ribéry. Já Ancelotti apenas mexeu na equipa nos últimos 15 minutos, proporcionando descanso a Sérgio Ramos (Varane), Benzema (Isco) e Di Maria (Casemiro). Mesmo sem forçar, o Real ainda chegou ao 0-4, com novo golo de Ronaldo, na execução de um livre.

   Estava consumada a "tareia". Depois da grande "performance" do futebol alemão, na época passada, o Real Madrid conseguiu agora a desforra e de forma arrasadora. Quatro a zero, em casa do adversário, dispensa grandes explicações. Foi a exibição perfeita de uma máquina que não teve pontos fracos. De registar apenas o amarelo a Xabi Alonso que o vai tirar da final. Uma decisão correcta do árbitro Pedro Proença, que, confirmando os seus créditos, realizou bom trabalho. 

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