A estreia

17-06-2014 14:36

Missão impossível

Erros (de) vários na génese da goleada.

Por Rui Tovar sapodesporto@sapo.pt

Não estava na agenda tal serviço, mas a verdade é que aconteceu. Portugal foi dizimado (4-0) por uma Alemanha organizada e competente, que soube, desde o início, mandar no jogo e materializar esse ascendente. A isso, que já não era pouco, juntaram-se erros próprios, lesões comprometedoras e uma arbitragem tendenciosa, que, no seu conjunto, conduziriam ao descalabro. O maior de sempre em fases finais.

Rui Patrício, num disparatado alívio - colocando a bola ao alcance de Khedira, que só não marcou porque não calhou - foi o primeiro a dar sinais de instabilidade. E, contudo, Portugal até tinha começado bem, com Hugo Almeida e Ronaldo, sobretudo este, a colocarem à prova o guardião Neuer, prometendo duelo aceso até final. A tal intervenção de Patrício, porém, terá constituído o prenúncio de que esse equilíbrio era fugaz.

De facto, uma falta de João Pereira, sem argumentos para travar Goetze, seria penalizada com castigo máximo. Poderá ter havido posterior teatro do alemão, mas que houve infracção do português disso também não restam dúvidas. O golo de Muller que daqui resultou teve efeitos desastrosos na equipa portuguesa, obrigada a tomar a iniciativa do jogo, quando a sua preferência aponta, como se sabe, para o contra-golpe.

A desorientação que então se gerou, agravada com a lesão de Hugo Almeida (entrou Éder), provocou o total descalabro. Primeiro, no lance do 2-0, onde os centrais foram batidos nas alturas por Hummels, na sequência de um canto; e, depois, na atitude irreflectida de Pepe, na discussão com um adversário. O gesto de Pepe é inqualificável, mas a verdade é que não há agressão, pelo que a sua expulsão pode ser questionada.

Como se não bastasse o 2-0, Portugal via-se então a jogar com 10, com apenas 37' decorridos. Embora ainda muito longe do seu final, o jogo terminava ali. Uma ideia que mais se enraizou com o terceiro golo, de novo por Thomas Muller. Com mérito embora, mas também com alguma sorte, o alemão ganhou o ressalto, após alívio de Bruno Alves, e fixou o resultado da insólita 1ª parte.

Para a 2ª parte, Paulo Bento fez entrar Ricardo Costa para suprir a vaga de Pepe, sendo Veloso o sacrificado. Mas a má fortuna (para lá do irredutível adversário, será sempre bom dizê-lo) nada quis connosco. Seria então a vez de Coentrão sair lesionado (foi rendido por André Almeida), facto que retirava a Portugal as já de si escassas possibilidades que ainda lhe restavam para fazer face aos alemães.

Com um jogo cheio de peripécias, que a inferioridade numérica portuguesa para isso mais concorria, ainda houve tempo para a Alemanha fazer o 4-0 (T.Muller ainda) e espreitar outras ocasiões flagrantes, que a nossa defesa soube então contrariar. Mas Portugal também nunca baixou os braços e pode queixar-se de mais um erro do juiz Mazic ao não assinalar grande penalidade num claro derrube a Éder.

A terminar, Ronaldo ainda marcou um livre à sua maneira, obrigando Neuer à defesa da tarde. E mais não se viu. Nem era preciso. Em jeito de síntese, dir-se-á que Portugal nada pôde frente ao colosso alemão, é verdade, mas as fartas e pouco abonatórias incidências da partida e, sobretudo, o trabalho ridículo de um sérvio travestido de alemão a dirigir o jogo não ajudaram mesmo nada as nossas pretensões.

Opinião