É um dos projetos desportivos mais apaixonantes do Brasil. A conquista da Taça do Brasil esta madrugada, depois de superar o Internacional de Porto Alegre, é um prémio justo para o Athletico Paranaense, um clube diferente no futebol brasileiro, com uma aposta sustentável na formação e num treinador jovem cujo futebol encanta não só em Curitiba mas em todo o Brasil. Antes, o emblema que saiu da fusão do International Foot-Ball Club e do América Futebol Clube em 26 de março de 1924, tinha ganho a Copa Sul-americana em 2018, o seu primeiro e único troféu internacional até agora. Em 2015, perderam  a final da Taça Libertadores, numa final jogada fora de casa, por não ter um estádio com capacidade para receber muitos adeptos.

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Uma conquista que vem dar mais força a um clube-empresa, virado para o negócio. A conquista da Taça do Brasil, depois de eliminar colossos como o Grêmio de Porto Alegre e o Flamengo de Jorge Jesus, rendeu 64 milhões de reais ao clube, qualquer coisa como 14,1 milhões de euros.

O atual projeto do clube teve o seu início com a entrada do presidente Mario Celso Petraglia e arrancou com a aposta no Centro de Treinos do Cajú e na construção do estádio, o Arena da Baixada, o primeiro estádio de futebol no Brasil a ter 'naming rights'. Em 2001 conquistaram o primeiro título brasileiro.

A aposta na formação é outra bandeira do rubro-negro, com a reformulação do departamento de Scouting, que foi capaz de descobrir nomes como Jadson, Fernandinho, Dagoberto e Kléberson, todos revelados ao mundo do futebol pelo Athletico.

Mas há outros nomes na montra. Neste verão, o emblema do Estado do Paraná vendeu o lateral esquerdo Renan Lodi, de 21 anos, ao Atlético Madrid. Nas suas fileiras vão brilhando nomes como Bruno Guimarães, um médio de 21 anos que tem centrado a atenção de muitos olheiros europeus. Desde 2013 que o Athletico só joga com jogadores sub-23 no Campeonato Estadual do Paraná, dando assim palco aos muitos jovens da casa.

Essa aposta na formação já vinha com o treinador Fernando Diniz. Como os resultados desportivos estavam a falhar, a direção afastou o técnico e apostou num homem da casa: o jovem Tiago Nunes, de 39 anos, que estava a treinar nos escalões de formação do clube. Pegou na equipa em 2018 quando estava em zona de descida no Brasileirão, recuperou moralmente os jogadores a tempo de ganhar a Taça Sul-Americana, dando assim o primeiro troféu internacional ao clube. A aposta em jovens jogadores da casa tem sido uma constante e com resultados. Além de Renan Lodi, já transferido para o Atlético Madrid, há Bruno Guimarães e também o avançado Rony, de 24 anos.

Estes jovens têm crescido ao lado de jogadores já veteranos, como é o caso do argentino Lucho González, já com 38 anos e no clube há quatro anos. Há outros jogadores experientes com Thiago Heleno, Marco Rúben, Jonathan (já jogou no Inter Milão), Márcio Azevedo (ex-Shakthar e Metalist da Ucrânia).

Sérgio Vieira já treinou o Athletico Paranaense
Sérgio Vieira já treinou o Athletico Paranaense créditos: DR

Essa diferença em relação aos demais emblemas brasileiros também se vê na forma como o clube tenta projetar-se além-fronteiras, com a contratação de técnicos estrangeiros. O Athletico já foi treinado pelo alemão Lothar Matthäus, pelo espanhol Miguel Ángel Portugal e pelo português Sérgio Vieira. Para vincar essa internacionalização, o clube mudou de emblema, deu uma nova roupagem ao nome, colocando o 'h' depois do primeiro 't' no Atlético, (ficou Athletico).

No Brasil, tem lutado por melhores contratos de televisão, tendo transmitido um clássico com o Coritiba no Youtube. Também marca a diferença na segurança e no combate à violência, ao tornar obrigatório o registo dos adeptos das claques do clube. Além disso, liderou a criação de uma Liga no Brasil em 2015, uma organização que reuniria, de início, os principais clubes do Rio, Minas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Confederação Brasileira de Futebol 'matou' o projeto.

Nos seus 95 anos de história, já conta com o Brasileirão, um Taça do Brasil (o primeiro ganho pelo Estado do Paraná) e uma Taça Sul-Americana, todos conquistados desde a entrada do presidente Mario Celso Petraglia. O futuro só poderá ser risonho.

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