O antigo futebolista João Vieira Pinto elegeu o Euro2000 como o mais marcante da sua carreira, pela festa e entusiamo dos adeptos e, sobretudo, pela consciência de que poderia ter vencido a competição.

«O Campeonato da Europa de 2000 foi o que mais me marcou, não só pela qualidade do nosso jogo e pelas meias-finais que atingimos, com, provavelmente, uma das melhores ‘Franças’ de sempre, que foi campeã do Mundo e da Europa. Mesmo assim, Portugal bateu-se até aos últimos minutos», afirmou o atual diretor da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Na Holanda e Bélgica, a equipa das “quinas” passou o “grupo da morte”, com Alemanha, Inglaterra e Roménia, e a Turquia, nos “quartos”, e só foi batida pela França, que viria a sagrar-se campeã, na meia-final, por 2-1, após prolongamento.

«A França tinha uma equipa enorme, com uma geração de jogadores extraordinários, tal como nós», frisou.

Portugal iniciou o jogo a ganhar, graças ao quarto golo na prova de Nuno Gomes, e, «mesmo perante o poderio da França», demonstrou que podia seguir em frente.

«E nós também eramos dos melhores. Acho que proporcionámos um grande espetáculo de futebol, promovemos muito bem o Campeonato da Europa, porque foi um jogo muito disputado, com prolongamento, entre duas grandes seleções», acrescentou.

Uma mão de Abel Xavier permitiu a Zidane resolver de penalti, aos 117 minutos: «Foi pena sermos eliminados mais uma vez pela França, mas, na minha opinião, qualquer das equipas podia chegar à final e até vencê-la, como acabou por acontecer com a França».

O Euro2000 marcou João Pinto também pelo que se foi passando fora dos relvados: «Foi uma enorme promoção do futebol, em que as pessoas estavam divertidas, a passar um bom bocado a ver espetáculos de qualidade».

Antes, já tinha disputado o Euro1996, quando Portugal também teve uma prestação «muito positiva».

«Portugal já não ia a um Campeonato da Europa há algum tempo (desde 1984), apanhou ainda a minha geração e alguns jogadores de gerações anteriores. Correu muito bem e podia ter corrido melhor, não fosse o jogo com a República Checa, em que o Poborsky estava inspirado e fez um grande golo», referiu, lamentando: «Portugal não foi eficaz na finalização».

Depois dos Europeus, ainda alinhou no Mundial2002, num percurso que terminou na fase de grupos e com a sua expulsão no derradeiro encontro com a Coreia do Sul, que, admite, poderá ter-lhe custado a ausência do Euro2004.

«Foram situações que aconteceram, que tiveram essa consequência mas, neste momento, está completamente ultrapassado. Foi pena porque era um Campeonato do Mundo, em que podíamos ter feito coisas interessantes, mas não conseguimos», rematou.

Instado a comparar a valia da sua geração com a atual, prefere defender o coletivo.

«O tempo é outro, os jogadores são outros e nunca se podem fazer grandes comparações, porque as características dos jogadores são outras. Provavelmente, esta tem qualidades que na minha geração não havia e vice-versa. Por isso, acho que o mais importante é termos a noção de que temos de funcionar como um grupo, desde jogadores, direção a todo o ‘staff’, para fazermos um bom campeonato e promovermos o nosso futebol e o nosso país», frisou.

Antevendo o Euro2012, e em particular os embates com Alemanha, Dinamarca e Holanda no “grupo da morte”, João Vieira Pinto reafirmou o desígnio preconizado pelo selecionador luso: «O primeiro objetivo terá de passar pelos quartos de final e, depois, aí, tendo passado um grupo forte como o nosso, qualquer seleção que o passe tem o direito a sonhar com o melhor».

«Nós temos de ter vários objetivos. Ninguém chega à final em apenas dois jogos ou num jogo. Há um caminho a percorrer e quando o selecionador diz que o primeiro objetivo é chegar aos quartos de final é, claramente, um primeiro objetivo. Só depois disso conseguimos atingir o que toda a gente ambiciona. Nós temos de ter os pés bem assentes no chão, temos de ser realistas, temos de ter confiança e esperança nos nossos jogadores, que eu não tenho dúvidas que se vão empenhar totalmente. Depois, nos jogos, ninguém sabe o que vai acontecer», afiançou.

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