O selecionador de futebol da Grécia, Fernando Santos, acredita que nas eleições de junho haverá uma clarificação política, mas defende que deveria ser feito um referendo sobre se o país deve ficar na União Europeia ou não.

Falando à Lusa sobre a crise social, política e económica na Grécia, o treinador português afirma não ter dúvidas de que esta já se está a repercutir no futebol grego: «A crise reflete-se não só na diminuição do número de adeptos, mas também nos patrocinadores, na capacidade dos clubes angariarem receitas. Nas próximas épocas isso vai ser mais notório».

Diz-se mesmo convencido de que «os clubes gregos vão deixar de ter capacidade para comprar jogadores. Até há bem pouco tempo, clubes como o Olympiakos e o Panathinaikos podiam facilmente ir a Portugal buscar um jogador de qualidade e hoje isso não me parece que seja possível», referiu Fernando Santos, para quem, todavia, a situação social está longe de ser de crispação.

O treinador português admitiu que há três, quatro meses, antes do último apoio financeiro da ‘troika’, viveu-se um período de «crispação, com manifestações e confrontos, sobretudo no centro de Atenas», mas agora, garante, «as coisas acalmaram».

O que existe na perceção de Fernando Santos é um «sentimento de resignação» das pessoas, que, todavia, «não aceitam as medidas de austeridade» impostas pela ‘troika’, razão pela qual ‘«votaram como votaram nas últimas eleições», maioritariamente em partidos que «também são contra aquelas medidas», votação que considera «claramente de protesto».

Em relação às eleições legislativas de junho, o treinador português acredita que «dos resultados das eleições de junho sairá uma maior clarificação, porque as pessoas não querem que as coisas continuem assim e que não haja um Governo».

Fernando Santos pensa que «vai haver uma alteração», mas ainda «não consegue perceber ou definir» em que sentido, «se mais para o lado dos partidos que são contra o plano da ‘troika’ ou se para o lado dos que acham que esse é o único caminho a seguir».

Por isso, entende que se «devia ter feito o referendo» sobre a vontade do povo grego se manter ou não na União Europeia, proposto pelo PASOK há alguns meses, porque teria permitido «clarificar a situação» e torná-la agora mais fácil de resolver.

Comparando com a situação portuguesa, Fernando Santos considera que «são idênticas» no plano social e que a única diferença é que em Portugal «existe um Governo estável, com apoio do maior partido da oposição e de 80 por cento do Parlamento» e que as pessoas «continuam a aceitar», embora não em tão grande percentagem como a parlamentar, que o caminho a seguir «é aquele que tem sido trilhado».

A Grécia está de novo em campanha eleitoral para as legislativas de 17 de junho destinadas a tentar ultrapassar o impasse político após o inconclusivo escrutínio de 6 de maio, onde não foi possível garantir a formação de um governo com apoio maioritário no Parlamento.

A esquerda alternativa Syriza, que se opõe às duras medidas de austeridades incluídas no segundo memorando de entendimento assinado em março, disputa o primeiro lugar do escrutínio aos conservadores da Nova Democracia (ND), que defende uma renegociação de diversas medidas, mas sem contestar o conjunto do plano.

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