O antigo árbitro português Vítor Pereira afirmou que poderia ter arbitrado a final do Europeu de futebol de 2000, no culminar de uma época em «grande forma», e que deveria ter mostrado o vermelho direto ao romeno Hagi.

«No Euro2000, estava numa excelente forma. A UEFA deu-nos condições únicas à época, com preparador físico, com um estágio devidamente enquadrado e organizado. Aí, a minha expetativa podia ser ir até à final», disse, em entrevista à agência Lusa.

Vítor Pereira fez dois jogos e sabia que estava guardado, conjuntamente com mais três colegas, para fazer a final do Euro2000, em função do desempenho das respetivas seleções.

«Todos tínhamos lá as nossas seleções e, portanto, os jogos dos quartos de final foram muito interessantes, porque fomos trocando piadas uns com os outros. Estávamos nas mãos das nossas seleções e acabámos por vir todos embora, porque Portugal, Itália e França foram todas apuradas», explicou.

Doze anos depois, Vítor Pereira considera mesmo que poderia ter arbitrado a final: «Sinto que sim, ainda por cima porque a nota que recebi nos quartos de final foi alta e bem avaliada por toda a gente, mas estávamos na conformidade de vir para casa se as nossas seleções fossem apuradas».

O atual presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ficou globalmente satisfeito com o seu desempenho na competição, admitindo que deveria ter punido de forma mais veemente a entrada do romeno Hagi sobre o italiano Antonio Conte, no jogo dos quartos de final.

«Foi um excelente Europeu, tive um excelente desempenho. Fiz jogos importantes, difíceis, nomeadamente o jogo entre Itália e Roménia, com as equipas muito tensas, com o Hagi a lesionar gravemente o Conte. Foi um jogo que me obrigou a um esforço grande de concentração e a colocar em campo aquilo que era a minha experiência, mas foi um Europeu muito marcante», explicou.

Lamentavelmente foi para casa e, depois, a seleção portuguesa foi eliminada nas meias-finais, «de uma forma um bocadinho inglória».

«São recordações muito boas, que naturalmente são inesquecíveis», acrescentou.

Apesar da autoavaliação satisfatória, Vítor Pereira assegura que nunca saía de um jogo plenamente satisfeito.

«Eu sou um perfecionista, sempre fui. Nunca acabava os jogos contente, via sempre uma coisa ou outra que fazia de maneira diferente. Por exemplo, nesses quartos de final do Euro2000, o que faria diferente era ter expulsado o Hagi, quando teve uma entrada violenta que partiu a perna ao Conte. Eu não me apercebi da gravidade, não é um ‘tackle’, é uma entrada com uma perna esticada ao tornozelo. Entendi que foi só uma entrada perigosa e dei-lhe cartão amarelo. Se tivesse de mudar, dar-lhe-ia cartão vermelho direto», frisou.

Não expulsou o “Maradona dos Cárpatos”, aos 55 minutos, quando investiu sobre o atual treinador da Juventus, mas fê-lo quatro minutos depois.

«Mais à frente, ele faz uma simulação dentro da área, foi advertido pela segunda vez, foi expulso e, curiosamente, foi o último jogo da carreira dele. De algum modo, foi uma forma inglória de acabar uma carreira. O Hagi era um jogador fantástico, brilhantíssimo, um canhoto de altíssima qualidade, que eu tinha arbitrado diversas vezes e foi um episódio, entre tantos», recordou Vítor Pereira.

Aliás, o jogo disputado em Bruxelas, a 24 de junho de 2000, já foi tema de conversa entre ambos, por ocasião de um congresso realizado na África do Sul.

«Já lhe disse isso. Estivemos juntos há relativamente pouco tempo e ele lembrava-se da situação. Ele reconhece que foi violento, que tinha lesionado um colega de profissão, mas estas são as incidências do jogo. Ele era um grande artista e os grandes artistas têm estes momentos de loucura, de extravasar as emoções, foi o que lhe aconteceu e ele estará arrependido, acredito que sim», concluiu.

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