O bar Eagles, uma referência do desporto na baixa de Maputo, celebrou hoje a passagem de Portugal à final do campeonato da Europa de futebol de 2016, com muitos moçambicanos à vista, bastantes portugueses, alguns chineses e nenhum galês.

O ambiente festivo e ruidoso aumentou de intensidade na antiga sede do Desportivo de Maputo ao minuto 50, quando Cristiano Ronaldo abriu o mercador contra o País de Gales, para êxtase de um fã especial de CR7.

"O Cristiano Ronaldo, mais uma vez, mostrou que é o melhor jogador do mundo. Então, estou muito satisfeito. Gosto de ver o Cristiano Ronaldo a jogar. Quem tem Cristiano Ronaldo, tem golo nos pés", comentava Peter Adamugy, um dos adeptos moçambicanos mais expansivos da sala.

Todas as mesas do Eagles, com capacidade para 200 pessoas, estavam hoje preenchidas, de olhos num ecrã gigante e dezenas de enormes LCD, entre a correria de empregados de bandejas de cerveja na mão e mulheres equipadas de vermelho, a cor das duas seleções (que hoje jogaram ambas com equipamento alternativo), mas sem exibirem os símbolos de nenhuma delas.

"Temos casa cheia sempre que joga Portugal, num público misto de portugueses, moçambicanos e pessoas de outras nacionalidades", comentou José Monteiro, que gere este bar remodelado há cerca de dois anos e dando conta de uma boa receção ao Euro, bem como de uma procura muito maior nas últimas 24 horas. "Agora está tudo cheio".

Se a festa já estava boa melhor ainda ficou quando em três minutos se celebraram dois golos, o segundo de Nani aos 53, deixando empolgados os clientes do bar, alguns dos quais vestindo camisolas e cachecóis da seleção das Quinas, mas não tanto uma mesa de chineses, com um olho no jogo e outro nos respetivos "smartphones".

"Às armas! Às armas", começaram a cantar, quando já cheirava a vitória, vários dos adeptos da seleção, quer portugueses quer moçambicanos, numa noite em que a presença mais forte do adversário foi a narração do desafio em inglês, na emissão do canal sul-africano SuperSport.

Este foi, por fim, o jogo que arrebatou o coração de Ângelo Nkutumula, um moçambicano até à noite hoje nada entusiasmado com o desempenho dos portugueses em campo.

"Assisti ao jogo com a expectativa de que Portugal perdesse. Relativamente a este Euro, pelos jogos que venho acompanhado, Portugal não conseguiu prender a minha atenção ao ponto de apoiar o país, mas neste jogo convenceram-me e marcaram dois golos limpos", afirmou.

Perto do apito final, a atmosfera passou de festa a farra, testemunhado por Mário Coluna, uma antiga glória do Desportivo e da seleção portuguesa, retratado numa das paredes do Eagles, e também por dezenas de pessoas que assistiram ao desafio a partir da rua, espreitando as suas incidências por cima do muro exterior do bar.

Entre o grupo dos que viram o jogo de fora, encontrava-se Feliciano, um futebolista juvenil acabado de sair dos treinos e que se perfilou junto ao muro do bar, na expetativa de "ver Portugal na final", sobretudo o seu ídolo, CR7.

No final, os clientes do bar cumprimentaram-se, abraçaram-se e alguns batiam taças de vinho tinto ao balcão, num brinde bem português.

Vários bares e restaurantes da capital moçambicana passaram o jogo das meias-finais do Euro e é fácil imaginar o mesmo cenário em todos eles, sintetizado na felicidade do luso-moçambicano Artur Jorge da Costa, nascido em Moçambique e que cresceu em Portugal.

"É um sentimento de euforia. Acho que foi uma vitória justa e que calou as bocas das pessoas que antes criticaram a exibição de Portugal", declarou o luso-moçambicano, que prefere a Alemanha na final e não a França, que joga em casa e pode merecer preferências na arbitragem, e citando um comentador desportivo quando afirmou que agora a seleção "vai apanhar tubarões e não raias".

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