O jogo de Portugal contra França foi a oportunidade para a comunidade portuguesa em Paris se voltar a encontrar, num convívio que fez "muita falta" durante a pandemia e que vai continuar até à final, desejam os adeptos.

"Fez-nos muita falta este convívio, porque o pessoal reúne-se aqui sábados e domingos para passar um bom fim de semana e já estávamos desabituados. Voltámos para reabrir a associação e até parece que o pessoal já nem se conhecia", disse José Luís Andrade, presidente da Associação de Cultura Portuguesa de Artes e Ofícios (ACPAO), em declarações à Agência Lusa.

A ACPAO fica situada no 18.º bairro de Paris, junto à Porta de Clignancourt, e tem como principais atividades o futebol, com uma equipa amadora, e um grupo de fãs de motas, organizando aos fins de semana convívios entre os cerca de 250 associados, com bar e restaurante.

No menu da noite estavam bifanas, moelas e, para os cerca de 40 portugueses que aqui viram o jogo, um empate com sabor agridoce.

"Foi uma boa 'performance' da equipa de Portugal, mas quando jogamos contra a França, somos sempre 11 contra 12, é mesmo assim. Fomos prejudicados", disse Américo, que espera encontrar novamente os gauleses nas meias-finais ou, quem sabe, até na final.

"Eles estão com mais medo de nós do que nós deles", arriscou ainda António, esclarecendo que nos próximos dias não haverá problemas entre colegas de trabalho franceses, já que ambas as equipas se apuraram.

Alissia e a família não tiveram medo. Estes franceses, com parte da família portuguesa, vieram equipados de vermelho, azul e branco para ver o jogo entre portugueses, e não se arrependeram.

"Tudo se passa bem, exceto quando Portugal faz batota [risos]. O ambiente é muito bom, gosto muito de estar aqui", disse a jovem, satisfeita com o apuramento da seleção francesa.

Durante os sucessivos períodos de confinamento, José Luís Andrade confessa que, apesar das regras sanitárias que mantiveram os restaurante fechados nos últimos oito meses, a associação foi servindo refeições, já que "era preciso pagar a renda".

No entanto, os convívios só recomeçaram a partir de 19 de maio, quando as autoridades francesas permitiram a reabertura das esplanadas e mais tarde dos restaurantes.

"O convívio é essencial. A situação começa a ser melhor, mas foi complicado. Foi um período terrível, a comunidade portuguesa aqui em França gosta de se juntar, conviver e viver", disse Francisco, um associado que não quis perder a oportunidade de ver o jogo entre amigos.

Ao longo da noite, apesar de os olhos estarem postos na televisão, ao fundo da sala, as conversas e cumplicidades em português passaram muitas vezes à frente do futebol, mostrando os sinais de saudade de quem, durante meses, não se pôde encontrar em locais públicos.

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