O comentário desportivo especializado em futebol tem revelado tendência para diferenciar as qualidades dos atletas mediante a sua cor de pele, com os brancos a verem elogiada a sua inteligência e os negros a sobressair pelas suas capacidades físicas.

“As descobertas mostram uma tendência de comentadores que elogiaram os jogadores com tom de pele mais claro como sendo mais inteligentes, de melhor qualidade e mais trabalhadores do que os de tom de pele mais escuro”, refere um estudo feito pela Associação de Futebolistas Profissionais em parceria com a RunRepeat.

Em análise estiveram 2.073 declarações de comentadores em 80 jogos de futebol da temporada 2019/20 e que envolveram apreciações a 643 profissionais “de várias raças e tons de pele” dos campeonatos espanhol, inglês, italiano e francês.

“Os futebolistas com tom de pele mais escuro eram significativamente mais propensos a serem reduzidos às suas características físicas ou habilidades atléticas - ritmo e potência - do que os de tom de pele mais claros”, complementa o estudo.

O futebolista branco recebe 62,60% de elogios e é referenciado em 60,40% das vezes em que se fala de ética no trabalho.

Ao invés, quase dois terços das críticas (63,33%) foram dirigidas a jogadores com tom de pele mais escuro, que são 6,59 vezes mais citados quando se fala de poder e 3,38 vezes mais falados quando se analisa a velocidade.

Na comparação, os futebolistas brancos são igualmente mais citados líderes e com mentalidade mais forte, sendo ainda mais versáteis.

Segundo o ensaio, sem preconceito de cor nas análises a disposição das qualidades “seria equivalente”.

“O fato de esse não ser o caso numa grande parte da amostra indica que existe um preconceito na forma como os media discutem os futebolistas com base na cor da sua pele”, acrescenta o documento.

Quando as declarações são puramente factuais sobre eventos durante o jogo os dois grupos receberam a mesma proporção de comentários, sendo elogiados ou criticados pela mesma quantidade.

“A distribuição uniforme nessa categoria de controlo (onde os comentadores reportam factos) é mais uma indicação de que existe tendência ou preconceito nas outras categorias (que são baseadas na sua opinião), onde a distribuição e a divisão de elogios e críticas parecem diferentes”, reforça o estudo.

A repartição dos comentários para cada grupo permite ainda verificar com que frequência os comentadores abordam um assunto ao falar especificamente sobre cada grupo.

Por exemplo, quando se fala de jogadores com tom de pele mais escuro a ‘forma’ surge em 18,65% das análises, enquanto a questão da liderança surge nos brancos em 12,05% das ocasiões.

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