O treinador português Luís Castro assumiu hoje ter vivido a conquista do título ucraniano de futebol, alcançada no sábado no comando do Shakhtar Donetsk, com uma “sensação de alívio”, pela conquista do objetivo e pela retoma do campeonato.

Na primeira época fora de Portugal, o técnico, de 58 anos, orientou uma formação que esteve no primeiro lugar do campeonato desde o início e que assegurou o tetracampeonato no sábado, após ter vencido o Oleksandriya (3-2) e mantido a vantagem de 16 pontos sobre o Dínamo de Kiev, segundo, a cinco jornadas da conclusão da prova.

"Tenho uma sensação de alívio por termos conseguido ser campeões e pelo campeonato se poder realizar até ao fim. É uma sensação de dever cumprido. As expectativas que coloquei em cima de mim poderiam levar a uma frustração elevada. Quando um treinador ganha, a sensação é a de como quem dá uma prenda a um filho: a felicidade está mais no pai que dá a prenda do que no filho que a recebe", confessou, em videoconferência com jornalistas portugueses.

Luís Castro salientou, aliás, que foi "fantástico" dar o seu primeiro título da carreira numa divisão maior aos muitos adeptos do Shakhtar, forçados a saírem das casas, devido ao conflito que levou à ocupação da cidade de Donetsk por separatistas pró-russos desde 2014.

O técnico sagrou-se, porém, campeão num estádio sem público, devido à pandemia de covid-19, responsável pela interrupção do campeonato entre 15 de março e 30 de maio, e admitiu ter tido o receio de ver a prova terminar sem campeão e de ver a "dimensão psicológica" dos seus jogadores afetada, mesmo acontecendo o regresso.

"[A pandemia] surgiu numa altura em que estávamos bem. E, por vezes, até surge aquela sensação egoísta de querermos continuar a competir. Nunca tinha sido campeão em 23 anos e o campeonato parou muito perto de o conseguir. Mas o importante não somos nós, é a humanidade", reconheceu.

Tricampeão entre 2017 e 2019 com Paulo Fonseca ao ‘leme', o Shakhtar conquistou novo título com um treinador português, numa prova que dominou do princípio ao fim, mas Luís Castro disse nunca ter olhado para a competição como um "mar de facilidades", mesmo tendo uma "grande equipa".

"A vida já me pregou várias partidas. Eu sempre disse aos meus jogadores que a vantagem é para manter ou para aumentar, mesmo com nove ou 10 pontos de avanço. Nunca tive a certeza de nada. Olhei sempre para o próximo jogo como uma oportunidade de manter ou aumentar a vantagem", realçou.

Depois de cumprir os cinco jogos que restam no campeonato, até 19 de julho, o Shakhtar vai ainda disputar, em 05 de agosto, a segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa, com o Wolfsburgo, após ter vencido a primeira, na Alemanha, por 2-1.

Luís Castro mostrou-se desagrado com a possibilidade de disputar a segunda mão na Alemanha, país que vai acolher a ‘final a oito' da prova, entre 10 e 21 de agosto, e referiu ser ainda cedo para antecipar o jogo, mesmo que o adversário vá parar mais tempo, já que o campeonato germânico termina no próximo fim de semana.

"[Quando jogámos com o Benfica, na eliminatória anterior] diziam que íamos chegar mal preparados ao jogo, por termos tido a pré-época de Inverno. Não tem qualquer sentido fazer previsões", observou.

Luís Castro disse ainda que o Shakhtar, clube com o qual tem contrato válido até 2020/21, o ajudou a cumprir os desejos de ser campeão e de participar na Liga dos Campeões e que não se "vira as costas a um projeto desses", mesmo que a permanência para a próxima época seja ainda incerta.

O treinador confirmou também que o adjunto Felipe Çelikkaya vai trabalhar “numa grande instituição de Portugal” na época 2020/21, depois de o ter acompanhado durante três temporadas em que mostrou ser um "homem de valores", com um trabalho de "grande eficácia".

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