Vítor Pereira é actualmente o presidente da Comissão de Arbitragem, mas não vão longe os tempos em que era o homem do apito. Assistiu com interesse aos jogos e arbitragens deste Mundial e sublinha que a qualidade dos juízes tem vindo a aumentar, atenuando-se a diferença de critérios entre árbitros de diferentes continentes.

“Comparativamente com outros mundiais”, começa por realçar Vítor Pereira, “a uniformidade e a consistência da aplicação dos critérios foi muito mais homogénea. Foi muito menos notório de que local eram oriundo os árbitros e mesmo os árbitros africanos, que eram elementos mais frágeis, tiveram prestações positivas. Do ponto de vista técnico ficou patente a melhoria e a evolução num sentido positivo”, realça o ex-árbitro.

Ainda assim, alguns erros graves mancharam algumas actuações. O presidente da Comissão de Arbitragem refere que o erro faz parte do jogo e prefere salientar as decisões acertadas.

“É impossível que em 64 jogos não ocorram erros com influência no resultado. Tive oportunidade de dizer que se houvesse durante todo o Mundial três a quatro jogos com erros com influência no resultado seria um registo aceitável, pois estamos a falar de uma percentagem de 5% daquele que é o valor total. Mesmo que estejamos a falar de um Mundial e dos melhores árbitros do Mundo, uma taxa de eficácia que esteja acima de 90% nunca poderá deixar de ser considerada um bom registo.”

Um dos erros mais mediáticos foi aquele que seria o golo do empate da Inglaterra frente à Alemanha, ainda nos oitavos-de-final. A bola rematada por Lampard esteve mesmo dentro da baliza germânica, mas o trio de arbitragem não validou o golo. Vítor Pereira lembra que os árbitros podiam e deviam ter auxílio neste tipo de situações:

“As medidas que permitem resolver com facilidade este tipo de situações deviam ter sido consideradas antes do Mundial e não falar disso depois dos erros ocorrerem, como fez o Sr. Blatter. De facto, é impossível aos árbitros verem tudo sem nenhum auxílio. De um ponto de vista humano, sabemos que um árbitro que está a trinta metros da linha de golo não vê esta marcação, não tem a percepção se a bola entrou ou não, pelo que se torna humanamente impossível ajuizar com certeza este tipo de lances.”

Crítico face ao posicionamento da FIFA nesta matéria, o ex-árbitro admite que “compete à organização que tem a tutela do futebol mundial permitir que essas ajudas complementares auxiliem o árbitro a tomar decisões que acabariam por dar verdade ao jogo e credibilizar toda a actividade competitiva”.

Ainda assim, e sem esconder que há sempre margem para melhorar, Vítor Pereira adianta que “a arbitragem sofreu uma clara evolução relativamente ao Mundial 2006”.

“Na África do Sul tivemos árbitros com uma extraordinária condição física, um grande controlo emocional, uma grande segurança nas decisões e uma relação mais próxima com os jogadores sem abdicar do papel de juiz"

Por tudo isso, acrescenta, “o balanço que eu faço da arbitragem é bastante positivo e melhor do que aquilo que vimos em 2006”.   

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