“Eu não sou religioso, mas, já que o compasso veio cá a casa, achei que não tinha nada a perder se benzesse a moto”, contou à Lusa o motociclista de 52 anos, na véspera de iniciar a longa travessia de 20.000 quilómetros entre Penafiel e o extremo sul do continente africano.

“Agora vou passar o dia com a família e carregar a moto, o que não vai ser fácil tendo em conta que tenho mais de 40 quilos de bagagem para levar”, acrescentou.

Nessa carga incluem-se 12 quilos de ferramenta para a manutenção mínima da AJP PR4 de 200 centímetros cúbicos, uma tenda e um colchão de campismo, um fogão e “comida fácil como massas a que só é preciso juntar água”, e ainda um pequeno computador portátil, que permitirá ao motociclista actualizar o seu “blog”, o Facebook e o Twitter - todos identificados com a designação “Osvaldo Garcia Rumo à Boa Esperança”.

O trajecto da viagem também ainda está a ser ultimado, prevendo agora a travessia por 16 países: Portugal, Espanha, Marrocos, Sahara Ocidental (reconhecido como país autónomo por 45 estados, mas não pelas Nações Unidas), Mauritânia, Mali, Níger, Chade, Camarões, Gabão, Congo-Brazzaville, República Democrática do Congo, Angola, Zâmbia, Moçambique e África do Sul.

“O percurso já foi alterado algumas vezes, não só para garantir o trajecto mais seguro, mas sobretudo para que eu possa passar nas zonas mais povoadas”, explica Osvaldo Garcia. “O que mais me preocupa é andar em sítios sem povoação, porque, se me acontece alguma infelicidade no meio do deserto, não há nada em volta de onde eu possa receber ajuda”.

Sem expectativas quanto à distância média a percorrer em cada jornada da viagem, Osvaldo Garcia adianta apenas pretender “fazer um mínimo de 300 quilómetros em cada dia”.

“Vai haver dias em que fazer mais do que isso é complicado”, reconhece. “Em alguns países vou perder muito tempo na fronteira até que me deixem passar e em muitas zonas vou ter que andar a meter gasolina na moto à garrafa, litro a litro, porque não há outra forma”, explicou.

A viagem de Osvaldo Garcia começa segunda, às 15:00, junto ao Museu Municipal de Penafiel e o motociclista garante: “Quem lá chegar às 15:01 já só vai ver a traseira da moto, pequenina, muito ao longe”.

O seu objectivo é chegar ao estádio de Port Elizabeth a tempo de assistir, no dia 15 de Junho, ao primeiro jogo de Portugal no Mundial de Futebol, frente à equipa da Costa do Marfim.

A viagem pretende também contribuir para a promoção de “uma moto inteiramente portuguesa” e funcionar como “uma homenagem à banda Xutos e Pontapés”, que inspira a versão da AJP PR4 que Osvaldo Garcia vai conduzir até África do Sul.

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