O sociólogo brasileiro Ruy Braga e docente da Universidade de São Paulo considerou esta quinta-feira, em Coimbra, que vai haver manifestações durante o Mundial de 2014, no Brasil, e que estas serão mais violentas do que as observadas no verão de 2013.
"Não haverá tantas pessoas, mas o movimento não tende a retroceder e deverá aproveitar a bela vitrina que é a Copa", defendeu Ruy Braga, à margem do seminário "Cidades rebeldes: as manifestações de junho no Brasil", que decorreu no auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, durante a manhã de hoje.
De acordo com o sociólogo, "haverá muita mobilização", mas também "muita repressão policial", recordando o investimento feito pelo governo brasileiro em segurança, assim como a possibilidade de ser aprovada "a lei antiterrorismo", que levará "a uma criminalização de quem protesta".
O grande motivo para os protestos continuarem é a constatação de que "nenhum dos problemas contestados em 2013 foi resolvido", disse Ruy Braga que, apesar disso, admite que haverá menos pessoas nas ruas por "a população, que apoia as manifestações, não aparecer com medo da violência".
A Polícia Militar é, para o docente da Universidade de São Paulo, uma força de "opressão", e "faz aquilo que melhor sabe fazer: reprimir duramente. Se já o fazia de forma regular na periferia" das grandes cidades brasileiras, surge agora a comportar-se "da mesma forma no meio da cidade".
Ruy Braga disse que outro grande desafio dos movimentos sociais será "a invisibilidade" levada a cabo pelos meios de comunicação social brasileiros "que são controlados por cinco grandes empresas" e que reproduzem "narrativas falaciosas e conservadoras".
Contudo, os movimentos sociais "têm evoluído bem" e mostram "mais atividade e mais capacidade de mobilização", motivados, também, "pelas redes sociais", explanou.
O sociólogo afirmou ainda, durante o seminário, que as manifestações observadas em junho e julho de 2013 reúnem diferentes fatores como o julgamento do caso Mensalão, que atingiu sobretudo militantes do Partido dos Trabalhadores (que está no poder), o racismo de classes sociais, a diferença entre as expectativas de crescimento do país e a realidade e o choque entre uma cultura democrática e um sistema político blindado.
Para além destas considerações, que Ruy Braga afirma serem "parcialmente corretas", o docente considera que a indignação das populações face à violência da Polícia Militar nas manifestações e o "stress das camadas mais jovens ao entrarem no mercado de trabalho", influenciado por "condições de acesso mais difíceis e uma alta taxa de rotatividade", como duas causas para o aumento da escala dos próprios protestos.

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