Manoel, de 57 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), há cerca de um ano, que veio agravar a débil situação financeira em que se encontrava, facto que, tendo chegado ao conhecimento do seu antigo colega de equipa José Eduardo, mobilizou um conjunto de pessoas e vontades no sentido de o ajudar nesta altura crítica da sua vida.

Estiveram presentes 140 pessoas no jantar, pelo qual, cada uma, pagou 35 euros, dos quais 30 reverteram para Manoel, a maioria das quais companheiros de profissão do seu tempo, mas também de épocas precedentes e posteriores, entre eles Manuel Fernandes, Inácio, Barão, Venâncio, Conhé, Oceano, Marinho, Cadete, Carvalho, Melo, Freire, Ademar, Zezinho, Esmoriz, Cadete, Alberto, Figueiredo, Vaz e Artur Correia.

Presentes também actuais dirigentes, como Ernesto Ferreira da Silva, Dias Ferreira, Rogério Alves, Agostinho Abade e Paulo Abreu, e figuras da oposição, como Abrantes Mendes, Abílio Fernandes e Paulo Pereira Cristóvão.

Ausência notada foi a do presidente José Eduardo Bettencourt, para a qual alegou "motivos pessoais".

Além do jantar, foi aberta uma conta no Banco Popular, para quem quiser ajudar Manoel poder transferir os seus donativos, e leiloados dois quadros do seu antigo companheiro de equipa Rui Jordão, que não pôde estar presente por se encontrar em Londres.

Em declarações à Agência Lusa, Manoel, cujas dificuldades em expressar-se são notórias pela sequelas do AVC, confessou-se "muito emocionado" com a iniciativa e "feliz" por "rever, conviver e matar saudades" de antigos companheiros de equipa, o que "não fazia há um século".

Um deles, o “grande” capitão Manuel Fernandes, confessou a sua satisfação por reencontrar Manoel "lúcido" e recordou um episódio quando este chegou a Alvalade: "Virei-me para o Jordão e disse-lhe: eh pá"! chegou um gajo com cabedal para levar porrada e distrair os defesas adversários da gente".

"Ele foi muito importante no sucesso daquele trio comigo, o Jordão e com o Keita, porque abria-nos muitos espaços que nós, que éramos tecnicamente mais dotados, aproveitávamos", lembrou à Lusa Manuel Fernandes, que o tratava "carinhosamente por Manoel preto".

Além das suas qualidades como jogador (“segurava a bola como poucos e era poderoso nos contactos físicos”) e profissional "sério e dedicado", Manuel Fernandes elogia as qualidades pessoais de Manoel, "sempre brincalhão, bem-disposto e pronto a ajudar".

Outro companheiro dos seus tempos, Augusto Inácio, que mobilizou todo o plantel da Naval 1.º Maio, além do "staff" técnico e do próprio presidente Aprígio Santos, a contribuírem para a conta bancária de solidariedade a Manoel, também enaltece o lado humano deste.

"Como homem, quem não gostasse do Manoel não gostava de ninguém", referiu Inácio, que conta outro episódio que partilhou com ele: "Uma vez, num treino, dei um soco na coxa do Manoel e quase parti a mão. Ele, a brincar, desafiou-me a dar-lhe outro murro - era uma força da natureza”.

Quem desencadeou esta onda de solidariedade em torno de Manoel foi o seu antigo colega José Eduardo, que guarda do antigo colega uma imagem de companheirismo e boa disposição contagiante, a quem não podia virar as costas nesta altura tão complicada da sua vida.

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