O presidente do Moreirense FC, atual terceiro classificado da Liga de Honra, defendeu hoje, em Assembleia-Geral (AG), a «transparência na gestão do futebol» e garantiu que o clube não tem qualquer dívida.

Numa AG realizada de manhã à porta fechada, Vítor Magalhães falou aos sócios sobre a «difícil situação do país», não negando que «existe crise». O dirigente quis alertar os sócios para a necessidade de contribuirem para o clube.

Na AG, onde estiveram presente cerca de meia centena de associados, foi aprovado por unanimidade o relatório de contas da época 2010/11. As contas revelaram um prejuízo que ronda os 262 euros, valor interpretado por todos como “praticamente insignificante”.

Nesta reunião marcou presença, pela primeira vez, o revisor oficial de contas do Moreirense FC, Carlos Cunha. Vítor Magalhães explicou, à agência Lusa, o convite formulado pelo clube vimaranense ao revisor:

«Quisemos que não restassem dúvidas sobre a gestão transparente do clube.»

O presidente minhoto referiu não estar surpreendido com a unanimidade na aprovação das contas, afirmando:

«Foi pacífico, como é normal nesta vila e neste clube. O Moreirense só é possível existir se for uma grande família.»

Sublinhando que «as pessoas têm de ser corretas, têm de ser amigas, têm de ser tolerantes», Vítor Magalhães frisou:

«Foi isso que vim aqui dizer hoje. Para conseguirmos manter esta qualidade e esta transparência, temos de estar unidos. Alertei para o problema nacional e internacional que é a crise.»

Vítor Magalhães falou, lamentou a atual crise do país, considerando que Portugal não estaria «tão mal» se os políticos «fossem verdadeiros e falassem da realidade ao povo».

«O Moreirense não tem razões de queixa da classe política, mas sabe que a política e o futebol às vezes se embrulham. O que quero dizer é que temos um povo fantástico a todos os níveis e é preciso que todos estejam atentos ao momento difícil atual», disse.

Para o dirigente, é «fundamental» que os sócios se empenhem no apoio ao clube, que completa 73 anos na terça-feira.

Vítor Magalhães não quer que o clube seja visto como «um elefante branco com um estádio de betão e sem calor humano» e pediu aos sócios para darem «qualquer ajuda, nem que sejam os cinco euros dos bilhetes ou quotas», porque «é essencial para a sobrevivência do Moreirense».

Questionado sobre o facto de existirem emblemas na Liga de Honra com salários em atraso, Vítor Magalhães negou que o Moreirense pertença a esse leque e não quis comentar o que pode ser interpretado como «concorrência desleal» entre «clubes que cumprem e clubes que não cumprem».

«Não temos dívidas a ninguém, nem Segurança Social, nem Fisco. Temos os salários em dia? É ponto de honra que quando deixar este clube, deixo o passivo a zero. Mas pode-se falar em concorrência desleal? Deixo isso para as entidades e autoridades competentes e responsáveis. O país está a ser mal gerido há décadas e no futebol, esta situação ainda é um mal menor», completou.

O relatório de contas aprovado diz que na temporada passada o clube gastou 1.125.125 euros e as receitas atingiram 1.224.863 euros.

Os salários pagos a jogadores profissionais e equipa técnica totalizaram em 2010/11 cerca de 450 mil euros, enquanto as principais fontes da receita do Moreirense são a publicidade e os direitos televisivos, seguindo-se a bilheteira e a venda de camarotes.

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