A União Ciclista Internacional suspendeu hoje provisoriamente o diretor desportivo alemão Patrick Moster, que proferiu uma expressão racista no contrarrelógio de quarta-feira dos Jogos Olímpicos Tóquio2020.

“A União Ciclista Internacional anuncia que a sua Comissão Disciplinar decidiu suspender provisoriamente o diretor desportivo da equipa de ciclismo do Comité Olímpico alemão Patrick Mostre, na sequência das suas palavras inapropriadas durante o contrarrelógio”, lê-se no comunicado da federação internacional.

A UCI detalha que o incidente foi “examinado com urgência pela Comissão Disciplinar”, que considerou que as palavras usadas por Moster foram “discriminatórias e contrárias às regras básicas de decência”, violando os estatutos do organismo.

“A UCI condena todas as formas de racismo e comportamento discriminatório e luta para assegurar a integridade, a diversidade e a igualdade no ciclismo”, conclui.

Durante o contrarrelógio de Tóquio2020, Moster usou uma comparação considerada racista para encorajar o ciclista Nikias Arndt, que se preparava para ultrapassar dois corredores que partiram antes dele, o eritreu Amanuel Ghebreigzabhier e o argelino Azzedine Lagab.

Nas imagens televisivas, transmitidas em direto e amplamente difundidas nas redes sociais, ouve-se o diretor desportivo alemão incentivar Arndt a apanhar “os cameleiros”.

O Comité Olímpico alemão decidiu hoje fazer regressar com efeito imediato à Alemanha o seu diretor desportivo.

“Estamos convencidos de que os seus pedidos de desculpa públicos pelas palavras racistas que proferiu ontem [quarta-feira] são sinceros, mas o seu deslize viola os valores do olimpismo: para a equipa da Alemanha, o fair-play, o respeito e a tolerância não são negociáveis”, justificou o presidente do Comité Olímpico alemão, Alfons Hörman.

Moster pediu reiteradamente desculpas em diferentes meios de comunicação, assumindo que a sua expressão foi intolerável e desnecessária.

“Lamento imenso, o mínimo que posso fazer é apresentar as minhas desculpas. […] Aquilo não se deveria ter passado”, declarou.

Nikias Arndt, que foi 19.º no ‘crono’, que o esloveno Primoz Roglic venceu, condenou imediatamente as palavras do seu treinador.

“Estou assombrado e quero dizer claramente que me distancio dessas palavras, que são inaceitáveis”, escreveu o ciclista da DSM no Twitter.

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