A velejadora olímpica Joana Pratas defendeu esta terça-feira que a exclusão da Rússia dos Jogos Olímpicos de Tóquio2020 e do Mundial de Futebol de 2022, por questões de doping, é uma decisão que "compete às organizações competentes."

"As organizações existem precisamente para quem não cumpre as regras, tem que ser punido. Se as entidades competentes acharam que a Rússia não deve participar em determinadas competições, não me compete a mim dizer muito mais", afirmou a atleta portuguesa, à margem da iniciativa Desportistas no Palácio de Belém, promovida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Além de se mostrar defensora da competição "honesta", preferindo "não ganhar, mas jogar de forma limpa", Joana Pratas, que garantiu "sempre ter dado o máximo e nunca ter utilizado qualquer tipo de substância", lamentou o caso da Rússia.

"É triste porque o desporto não é isso", referiu.

Convidada para contar um pouco do seu percurso desportivo, que começou aos nove anos, junto ao Padrão dos Descobrimentos em Belém, em abril de 1998, na Classe Optimist, a velejadora recordou o seu "sonho olímpico" perante os cerca de 70 jovens alunos da Escola Básica Flávio Gonçalves, da Póvoa de Varzim, e da Profitecla Escola Profissional, de Coimbra.

"Foi um sonho que surgiu em 1988, quando Rosa Mota ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul. Foi um momento emocionante e inspirador para mim", confessou, assumindo ser a antiga maratonista a sua referência maior no desporto.

Campeã nacional 12 vezes, Joana Pratas tornou-se, em 1996, na primeira e mais jovem velejadora portuguesa a participar nos Jogos Olímpicos, em Atlanta, num barco à vela.

"Com apenas 17 anos estava nos meus primeiros Jogos Olímpicos e a concretizar o meu sonho de criança. Era a primeira mulher e a mais jovem de sempre a representar Portugal", frisou aquela que teve mais duas participações olímpicas, em Sydney2000 e Atenas2004.

Depois de incentivar os jovens a respeitar os valores olímpicos - excelência, amizade e respeito - e a lutar pelos seus sonhos, porque "com trabalho, esforço, dedicação, espírito de sacrifício e resiliência tudo é possível", Joana Pratas, que sofreu várias lesões nos joelhos e foi submetida a duas cirurgias, recordou o regresso aos Jogos Olímpicos numa função especial.

"Em 2016, surgiu a oportunidade de voltar aos Jogos Olímpicos, como representante de todos os atletas olímpicos portugueses, a bordo do Navio Escola Sagres, o navio mais emblemático da Marinha portuguesa. Foram 43 dias de viagem e nove mil quilómetros até ao Rio de Janeiro, no Brasil, e lá tive a honra de, juntamente com o Comandante António Gonçalves, entregar a bandeira portuguesa ao senhor Presidente da República", relembrou a Embaixadora do Plano Nacional de Ética do Desporto e Desporto sem bulling.

Já Marcelo Rebelo de Sousa, apesar do "dia complicado", como definiu perante a audiência, agradeceu o testemunho de Joana Pratas, "uma grande atleta olímpica, embaixadora e uma grande mulher, que tem uma vida desportiva muito rica."

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