O presidente da Federação Cabo-verdiana de Andebol (FCA) acusou hoje o Centro Comum de Vistos (CCV) de “falta de respeito e humilhação” e de não justificar formalmente a recusa de vistos a atletas para um estágio em Portugal.

“Foi metido um processo formal, através de nota, quer do IDJ quer da Federação, no entanto, a resposta veio de forma individual, aliás, nem foi uma resposta escrita nem nada. Foi a entrega do passaporte sem visto”, começou por dizer Nelson Martins, em declarações à agência Lusa.

O caso foi tornado público há uma semana pelo Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ) cabo-verdiano, dando conta da recusa de vistos - pelo Centro Comum de Vistos (CCV) da Praia - a três dos cinco atletas residentes no arquipélago convocados para integrarem o estágio em Portugal (02 a 08 de novembro) de preparação para o Mundial de andebol masculino, que acontece em janeiro, no Egito.

O dirigente federativo cabo-verdiano disse que não foi avançada nenhuma justificação oficial, nem de forma verbal nem de forma escrita, para a recusa dos vistos aos atletas.

Nelson Martins salientou que o processo foi tratado com “tanta falta de respeito”, que os passaportes foram entregues ao CCV em grupo, com uma nota institucional da FCA, mas depois tiveram que ser os atletas a ir levantar os seus documentos, onde constaram que não tinha visto.

O presidente da federação aproveitou para esclarecer que a estadia dos atletas em Portugal foi oferecida pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), recusando assim a ideia de ue os vistos foram recusados por falta de condições de estadia no país de destino.

“Se uma instituição em Portugal não é credível, não fiável para o Centro Comum de Visto, nem sei mais quem é que é”, reforçou Nelson Martins, para quem todo este processo revela uma “enorme falta de respeito e uma forma de humilhar o povo cabo-verdiano".

E salientou que não havia perigo de os atletas ficarem em Portugal, porque ambicionam ir ao Mundial. “Se ficarem lá já sabem que mataram as suas oportunidades”.

Apesar de o estágio já ter terminado, o dirigente cabo-verdiano disse que o assunto não está encerrado, muito pelo contrário, vai continuar a bater na mesma tecla as vezes que for necessário, para que isto não aconteça com o andebol nem com outra modalidade.

“É a terceira vez que casos do género acontecem e é precisamente por encerrar a questão que volta a repetir. Temos de o lembrar sempre que o CCV fez este descaso ao povo cabo-verdiano, ao país em si, e é uma situação que não deve acontecer mais”, exortou.

Apesar da recusa dos visto por parte do centro, gerido por Portugal, o presidente da federação disse à Lusa que tudo ainda está a ser estudado pela equipa técnica e não descarta por completo a participação dos atletas no Mundial da modalidade.

O Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ) cabo-verdiano também mostrou a sua indignação pelo caso e disse estar “totalmente solidário” com os andebolistas.

Três dias depois, o ministro do Desporto, Fernando Elísio Freire, disse que o país “fez tudo” o que podia neste caso e defendeu que estas situações não deviam acontecer.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do CCV disse apenas que os motivos foram explicados aos próprios atletas.

O estágio foi realizado na cidade do Porto, com concentração 20 atletas, de entre os quais vai ser feita a escolha dos convocados finais, que voltam a concentrar-se em 26 de dezembro até início da prova.

A seleção masculina de andebol de Cabo Verde vai participar pela primeira vez no mundial da modalidade, que acontece de 14 a 31 de janeiro, no Egito.

A seleção cabo-verdiana integra o Grupo A, juntamente com Hungria, que vai ser o adversário de estreia, Alemanha e Uruguai.

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