Com um duplo-duplo, 38 pontos e 15 ressaltos, Yannick Moreira fez o “jogo da sua vida”, ainda promissora no basquetebol, diante da Austrália e ajudou Angola a derrotar a Austrália por 91-83.

No final da quinta partida do Mundial Espanha2014, no grupo D, o pavilhão Arena de Gran Canária clamava por Moreira, forma que o tratam porque no decurso do jogo a amplificação sonora do pavilhão anunciava cada ação do jogador. Esta tarde, como os números podem explicar, o nome do jogador do campeonato universitário dos Estados Unidos foi o mais pronunciado.

O mais jovem jogador da seleção de Angola (23 anos) e também o mais alto (2,11) fez a sua estreia na equipa inicial de Paulo Macedo, e num jogo com extremo grau de dificuldade, acabou apontando 38 pontos, seis dos quais em “smash” e ainda capturou 15 ressaltos nos 31 minutos em campo – também um recorde pessoal nesta prova.

Com a pressão de ganhar e ainda assim depender de terceiros (vitória da Coreia do Sul), o técnico Paulo Macedo, que tem Cipriano lesionado, colocou em campo um cinco muito mais jovem com Armando Costa, Roberto Fortes, Edson Ndoniema, Reggie Moore e Yannick Moreira.

O número 12 da seleção campeã de África foi o terceiro mais utilizado, só superado por Costa (37) e Fortes (36). Este menino franzino tem a curiosidade de ter sido o primeiro e o último a marcar, pois iniciou as “hostilidades” com um lançamento de campo (2-0) e em cima da buzina de fim do jogo corrigiu um arremesso de um colega.

Tratou-se de uma partida muito bem conseguida pela seleção angolana que esteve na liderança apenas por oito minutos, enquanto o adversário comandou o marcador por 29 minutos. Mas à inspiração de Moreira juntou-se uma defesa mais concentrada e um ataque mais certeiro.

Os 14 roubos de bola contra apenas três dos australianos, que também foram obrigados a fazer 18 “turnovers (perdas)” contra apenas nove dos angolanos evidenciam a consistência e coesão do grupo de Macedo. Na luta das tabelas, Angola também superou o adversário por 42-32, tendo sido esmagador na defesa onde a Austrália só conseguiu nove, contra 21 defensivos dos angolanos.

Angola foi a primeira a liderar o placar até aos quatro minutos que se deu o primeiro dos quatro empates (12-12), os australianos cresceram, numa fase de descontrole onde em seis minutos Angola marcou três pontos contra oito, chegando ao fim do 1º quarto com 22-17 a desfavor.

O segundo quarto foi pior ainda, o que levava a um descrédito para os poucos adeptos presentes e muito silenciosos ao contrário dos outros dias. Foi o período mais difícil tendo a diferença chegado a 13 pontos ao intervalo (42-29).

Mas foi um bem-vindo intervalo, pois ao contrário da derrota no concurso de lançamentos para entretimento com lançadores de lances livres entre adeptos dos contendores, a seleção nacional realizou um terceiro quarto espetacular. Recuperou os 13 pontos de vantagem vencendo o período por 11 (34-23).

A explicação dessa reviravolta chama-se Yannick Moreira. Até então tinha jogado 12:48 e marcado quatro pontos e captado igual número de ressaltos, mas no fim desse quarto os números do jogador da NCAA dos EUA indicavam 26 pontos marcados, 10 ressaltos, quatro smashs que motivaram o conjunto e tornou-o o centro das atenções no pavilhão.

A atuação do estreante minimizou a larga diferença que os australianos conseguiram a meio do quarto que chegou a 15 pontos (60-45), que amealhou 22 pontos os últimos dos quais um smash que pôs Angola a dois pontos do adversário à entrada do último período (65-63) e deu a seleção angolana o melhor parcial (34-23).

A Austrália respondeu com os exímios lançadores e voltou a assumir a liderança e chegou a 74-69, numa fase que Angola até esgotou o tempo de ataque. Mas Moreira “volta a atacar”: com um smash põe o marcador em 73-74 a 6:06 do fim e três minutos depois faz o 77-76 e devolve o comando à sua turma.

A partir daí os angolanos rumaram para a sua segunda vitória na prova, muito aplaudidas pelos presentes, precisamente sobre a “equipa da casa”. A Austrália tem merecido apoio e carinho especial porque um dos seus jogadores atua na principal equipa de Gran Canária.

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