O presidente da Federação cabo-verdiana de basquetebol quer  que a FIBA altera a lei sobre jogadores com dupla nacionalidade.

Kitana Cabral irá dentro de dias até Genebra, na Suíça, falar com a entidade mundial sobre o entendimento do que é dupla nacionalidade, que impediu Pedro Silva, Jean-Claude Rodrigues e BJ Monteiro de darem o seu contributo à seleção nacional no torneio da Zona II africana. Os três atletas têm dupla nacionalidade mas a FIBA os vê como naturalizados.

Kitana Cabral esclareceu que a federação estava a par da lei da FIBA sobre nacionalidade, a regra 3.22 criada especificamente para proteger os países pequenos que perdem atletas com dupla nacionalidade para os grandes.

O que há é uma diferença de interpretação entre a FIBA e a Federação: «AFIBA África vê a lei de uma forma e a FIBA Mundo encara-a de uma outra perspetiva. A FIBA aceita os jogadores como naturalizados, como aconteceu com o Brian Rodolph mas não os vê como nacionais. Ora a nossa lei é clara: os filhos de pais cabo-verdianos passam a ser automaticamente cabo-verdianos, pela lei nacional», afirmou.

Mas Kitana Cabral não está só. A federação vai formar uma comissão, com ajuda de várias entidades governamentais, que inclui o cônsul de Cabo Verde na Suiça, o Ministério da Justiça, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, entre outros, para explicar o conceito de nacionalidade em Cabo Verde. Kitana lembra que há várias seleções na mesma situação de Cabo Verde e que a própria FIBA está aberta a discussões.

A lei foi criada para proteger os países ditos pequenos, de forma que os seus jogadores não "fugissem" para outros países, como aconteceu com João "Betinho" Gomes que "trocou Cabo Verde por Portugal, mas acaba por ser uma "faca de dois gumes": entende que os jogadores nascidos fora do país e que queiram representar o mesmo, são considerados naturalizados e não nacionais desses países.

Foi na condição de naturalizado que Brian Rodolph jogou no torneio da Zona II de África realizado no Pavilhão Vavá Duarte, quando devia jogar como nacional de Cabo Verde.

Para a FIBA, um jogador filho de cabo-verdianos que tenha nascido no estrangeiro e nunca tenha ido a Cabo Verde, não é um cabo-verdiano. Para tal, teria de ter uma ligação qualquer às ilhas, como vir de férias uma vez, por exemplo, pelo menos até aos 16 anos. A lei cabo-verdiana é clara nesse aspeto: os filhos de cabo-verdianos, nascidos no estrangeiro, são cabo-verdianos.

O presidente da Federação Cabo-verdiana de Basquetebol está esperançado numa resposta positiva por parte da FIBA. Kitana Cabral lembra a boa imagem que o país goza dentro do organismo máximo do basquetebol, cujo currículo nunca foi manchado por situações como alteração de idade de jogadores. Lembra ainda que as entidades cabo-verdianas no geral, gozam de enorme credibilidade junto das instituições mundiais.

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