"Se não houver uma mudança radical na forma de gestão e repartição de recursos patrimoniais e financeiros do Estado, a nossa central sindical continuará a usar os meios de pressão disponibilizados para atingir os objetivos preconizados nos estatutos", alertou o sindicalista.

Júlio Mendonça discursava perante centenas de trabalhadores que participaram numa marcha pacífica para assinalar o feriado nacional de 03 de agosto, que assinala o massacre de Pindjiguiti, quando a polícia colonial portuguesa reprimiu um protesto de trabalhadores guineenses, provocando pelo menos 50 mortos.

O secretário-geral da UNTG denunciou que os cidadãos guineenses continuam a ser exploradores e maltratados pelos próprios governantes, após 62 anos do massacre de Pindjiguiti. 

"Nunca o povo guineense pensou ser mais uma vez explorado, humilhado e maltratado pelos próprios filhos da mesma terra, como atualmente acontece", assegurou.  

Para o sindicalista, a atuação do Governo mostra claramente que os valores e as conquistas da luta de libertação nacional foram beliscados pela classe política guineense.

"Não existe o respeito escrupuloso do princípio da legalidade e há desrespeito total dos direitos e liberdade de expressão e de manifestação", considerou.

Júlio Mendonça disse que o dia dos trabalhadores deve servir para que todos os guineenses e, principalmente, os governantes reflitam, porque "não basta criar expectativas ao povo".

Para o sindicalista, é importante haver "rigor na gestão da coisa pública, organização da administração pública, cumprimento escrupuloso do princípio da legalidade e combate severo a corrupção que compromete o processo do desenvolvimento e a criação do bem-estar" do povo.

Júlio Mendonça pediu aos guineenses para tirem as ilações e analisarem o que já beneficiaram do Estado da Guiné-Bissau e sobre o que já contribuíram para o bem-estar do país.

A marcha percorreu várias ruas de Bissau e terminou na Praça dos Mártires de Pindjiguiti, onde o secretário-geral da UNTG e líderes de vários sindicatos depositaram uma coroa de flores no monumento, seguindo depois para o porto para deitarem flores ao mar em homenagem aos marinheiros que morreram afogados, quando tentaram fugir à polícia colonial.

A comemoração de 03 de agosto, considerado o dia dos trabalhadores guineenses, dividiu a classe sindical, a UNTG, principal central sindical do país, organizou a sua manifestação à parte e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes da Guiné (CGSI), a outra central sindical do país, que se juntou ao Governo e à administração dos portos de Bissau para celebrar a data.

A UNTG já entregou ao Ministério da Função Pública um novo pré-aviso de greve deverá ter início quarta-feira e decorrer até ao dia 15.

A central sindical tem convocado, desde dezembro, ondas de greves gerais na função pública, para exigir do Governo, entre outras reivindicações, a exoneração de funcionários contratados sem concurso público, melhoria de condições laborais e o aumento do salário mínimo dos atuais 50.000 francos cfa (76 euros) para o dobro.

MSE //LFS

Lusa/Fim

 

 

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