Futebol

23-03-2017 11:48

Sérgio Conceição: "Chegava a casa a chorar por ter perdido um jogo com os amigos"

"É duro estar longe da família, não poder acompanhá-los. É o meu ponto fraco", afirmou.
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Foto: SAPO Desporto

Sérgio Conceição, treinador do Nantes

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

Em entrevista ao jornal francês ‘Ouest France’, Sérgio Conceição, atual treinador do Nantes, recordou a sua infância em Ribeira de Frades, perto de Coimbra, e do quanto lhe custou estar longe da mulher e filhos.

"Muitas crianças tiveram mais dificuldades do que eu, mas tenho orgulho naquilo que fiz. Para conseguir ir aos treinos, tinha uma viagem de autocarro de seis quilómetros e depois tinha de andar bastante, porque o campo de treinos era perto da Universidade, na alta de Coimbra. Era preciso percorrer todo esse caminho e chegava já cansado. Às terças-feiras, nos dias em que os treinos eram mais leves, muitos faltavam, mas eu ia", lembrou Sérgio Conceição.

"Podíamos jogar à bola na rua durante horas até a noite cair. Com 8 ou 9 anos chegava a casa a chorar por ter perdido um jogo com os meus amigos. Sempre tive vontade de ir além dos meus limites. Não era um jogador muito dotado tecnicamente, fisicamente não tinha 1,90 m, mas compensava com espírito, vontade e ambição. Por vezes chegava a lesionar-me", acrescentou.

Sérgio Conceição continuou, afirmando que o seu sonho sempre foi jogador pela Académica de Coimbra.

"Nessa altura, não sabia que os jogadores de futebol ganhavam muito dinheiro. O que me motivava era a vontade de as pessoas saberem quem eu era. O meu sonho era jogar pela Académica, era o meu objetivo", acrescentou, falando ainda, entre outros temas, da mulher e dos cinco filhos que continuam a viver em Portugal.

"Os meus filhos [cinco rapazes] adoram futebol, nasceram no meio do futebol. O de 17 anos joga no Benfica e também está na seleção sub-17, é extremo como eu. O mais novo, de 14, também é extremo e joga no Sporting. O mais velho está na universidade, está a tirar gestão desportiva e joga na 3.ª divisão. É duro estar longe da família, não poder acompanhá-los. É o meu ponto fraco", afirmou.

"Saí de casa aos 15 anos. Quando saí de Portugal e fui para a Lazio foi uma outra realidade, um outro mundo. A minha mulher perguntou-me: "É Roma? É em Itália, não é?" Ela não sabia onde ficava Roma. Houve uma altura em que me senti triste. O meu primeiro filho, o Sérgio, nasceu enquanto estava na Lazio. De quatro mil euros no FC Porto passei a ganhar 100 mil euros na Lazio".

Conteúdo publicado por Sportinforma