Rui Pereira

26-04-2017 19:10

"Sem responsabilização dos agentes desportivos, não há pacificação no desporto"

Antigo ministro da Administração Interna afirma que os clubes devem ser castigados por comportamentos incorrectos dos seus adeptos.
Rui Pereira
Foto: Lusa

Rui Pereira foi o moderador de conferência onde também participou Pedro Proença

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.pt

Rui Pereira acredita que os agentes desportivos devem ser castigados para que exista um clima de paz no desporto. O antigo ministro da Administração Interna deu a sua opinião numa conferência relativa à segurança nos eventos desportivos.

"A questão coloca-se em termos de responsabilidade social. Se não houver responsabilização de agentes desportivos não há pacificação no desporto. E a responsabilização, por mais que doa, só se consegue efetivar com sanções. Por exemplo, utilização de engenhos pirotécnicos, jogos à porta fechada. Se os jogos à porta fechada não funcionarem, interdição dos estádios. Se a interdição de estádios não resultar, proibição de participação em certas competições. Eu sei que é duro mas só assim é que haverá pacificação no futebol", referiu o professor, afirmando que as claques têm de ser legalizadas para se poder apurar responsabilidades.

"Em relação às claques, tem de haver uma política que as responsabilize e que as reconheça. Porque não se pode simultaneamente excluir e responsabilizar", referiu.

Na sessão participou também o Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Pedro Proença, explicando que a segurança nos estádios é uma preocupação premente da Liga dos Clubes.

"A Liga Portugal tem uma comissão de monitorização de violência no futebol. É feito um planeamento e todos os jogos das ligas profissionais são monitorizados, quatro horas antes da partida, durante os 90 minutos e mais 90 minutos depois dos jogos", afirmou.

"No final da jornada desportiva, a direção da liga tem acesso a toda a informação relevante ao nível da violência e segurança nos estádios. Na conjunção dos relatório tentamos repercutir nos regulamentos tudo o que devem ser alterações para aumentar os níveis de segurança nos estádios", revelou o ex-árbitro, que explicitou também ser difícil impedir a entrada de petardos nos recintos desportivos.

"A verdade é que a Liga tem uma regulamentação muito difícil e densa relativamente ao transporte de artefactos para o terreno do jogo. Há várias fases e triagens mas esses artefactos têm uma dimensão tão reduzida que é difícil de controlar", explicou Proença.

Pedro Proença e Rui Pereira falavam na conferência "Segurança em Eventos Desportivos, em particular o futebol: que desafios e que opções?", integrada no Congresso Internacional Segurança e Democracia, que ocorreu na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

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