Rio'2016

06-08-2016 09:35

Samba e história marcam abertura dos Jogos

Música e dança preencheram uma cerimónia de abertura cheia de energia.
Cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016

Cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016

Por SAPO Desporto c/ Lusa sapodesporto@sapo.pt

Uma exaltação das raízes brasileiras invadiu hoje o Maracanã para uma deslumbrante Cerimónia de Abertura do Rio2016, com muito samba no pé e em que coube a Vanderlei Cordeiro de Lima a honra de acender a Chama Olímpica.

A espera de uma vida chegou, finalmente, ao fim. O barulho do mar é o som de fundo daqueles acordes conhecidos por todos. "O Rio de Janeiro continua lindo", sobretudo numa noite morna, de pirilampos de luz. Aquele abraço envolve o Maracanã num jogo futurista de prateados e azuis e o Brasil apresenta-se ao mundo, com ondas gigantescas, movidas ao compasso de "Samba de Verão", de Marcos Valle.

O relógio vai ao zero, numa nuvem de almofadas gigantes, e a batucada agita o Maracanã. Num momento de comunhão e fraternidade, o símbolo da paz inscreve-se no centro do palco, dando passo à apresentação do presidente do Comité Olímpico Internacional, Thomas Bach, e à mais doce das versões do hino nacional brasileiro.

Com Paulinho da Viola no violão e 60 bandeiras brasileiras nas mãos de atletas - 10 estrelas do desporto brasileiro e 50 jovens campeões -, sobe bem alto a 'Auriverde', antes que uma recriação do início da vida cubra o palco.

Micro-organismos movem-se freneticamente e dividem-se sem parar. Uma floresta tridimensional nasce do emaranhado verde, de onde esvoaçam borboletas amarelas, que se transformam na sombra de um gigante, porta-voz da chegada de grupos de indígenas, que, na sua dança, brincam com fios de luz.

Entretidos com a sua cortina luminosa, os indígenas são surpreendidos pela aparição de desconhecidos, provindos de mares nunca antes navegados - o Rio de Janeiro não esqueceu a herança portuguesa, representada por três caravelas, pejadas de marinheiros imaculadamente vestidos de branco. Mas nem só do vestígio luso é feita a história do Brasil: agrilhoados, submissos, os africanos que foram trazidos à força para o Brasil fazem a sua entrada e, à medida que avançam, a floresta veste-se de plantações de cana-de-açúcar, momentaneamente invadidas por orientais.

No coração do Maracanã, ergue-se a cidade, com três grupos de 'parkour' a pular sobre os telhados, ao som de "Construção" de Chico Buarque. Anoitece. É tempo de um voo noturno sobre o Rio de Janeiro, personificado na musa Gisele Bundchen, a "Garota de Ipanema" que Tom Jobim cantou.

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça", deixando um trilho de Óscar Niemeyer, que ecoa no funk carioca. Hino das favelas, "RAP da Felicidade" sai dos pés de um garoto que só quer ser feliz e que é a batuta de uma evocação das danças de rua e da nova música brasileira, apresentada ao género de disputa.

Entre fogos de artificio e 'seres' estranhos, instalados numa gigantesca pista de dança, a atriz Regina Casé, uma das mais acarinhadas do país, convida todo o estádio a celebrar as diferenças, numa coreografia que une os 1.500 bailarinos às bancadas, que cantam a plenos pulmões "Moro num país tropical/ Abençoado por Deus".

Terminado o apoteótico baile, um miúdo perde-se num labirinto de espelhos, que revela os desastrosos efeitos das alterações climáticas. Só uma flor, perdida e solitária, o salva. Ao tocá-la, anuncia que cada um dos atletas presentes no Rio2016 plantará uma árvore, que permanecerá como o seu legado para o Rio de Janeiro.

São eles, os atletas, o epicentro dos Jogos Olímpicos, pelo que a maior ovação é sua. A Grécia, pátria-mãe da competição, inicia o desfile das nações, com a equipa de refugiados olímpica, os países vizinhos/latinos, o colosso Estados Unidos, a Itália e o Japão, com grandes comunidades no país, a Palestina, o país-irmão Portugal, e, obviamente, o Brasil, último a entrar no Maracanã, a serem os mais aplaudidos - só a Argentina e a Síria tiveram direito a assobios.

Reunidos os atletas, o símbolo do COI brotou de árvores e os anéis olímpicos iluminaram o céu. "O melhor lugar do mundo é aqui e agora", mesmo que os momentos institucionais tenham arrefecido a festa. O mítico estádio despertou da curta 'sesta' para acolher os heróis que transportavam a bandeira olímpica, com a futebolista Marta e o basquetebolista Óscar Schmidt a levantarem as bancadas, que começaram a entoar 'Guga', antes de sambarem ao som de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Anitta, que cantaram "Sandália de Prata", num sambódromo improvisado.

E aí, a correr com o seu tradicional sorriso, apareceu Gustavo Kuerten. Mas, ao contrário do que todos os rumores apontavam, o antigo número um do ténis passou a tocha à basquetebolista Hortência, que a transferiu para as mãos de Vanderlei Cordeiro de Lima. Único desportista latino-americano distinguido com a Medalha Pierre de Coubertin, o antigo maratonista viu a vida retribuir-lhe o ouro que perdeu ao ser empurrado por um espetador em Atenas2004, ao protagonizar o momento mais emocionante da cerimónia de abertura.

Conteúdo publicado por Sportinforma