Um Benfica de raça, determinação e enorme capacidade de sofrimento empatou esta noite em Turim 0-0, defendendo assim com sucesso a vantagem de 2-1 que alcançara há uma semana na Luz e que valeu o passaporte para nova final da Liga Europa. É a décima presença em finais europeias para o clube da Luz, que agora parte com o sonho de uma conquista inédita, depois de acabar a jogar esta noite com apenas nove elementos.

Jorge Jesus apostou na equipa ‘habitual’, devolvendo Oblak à baliza em detrimento de Artur, que fora aposta na primeira mão, em Lisboa. No campo, o Benfica entrou muito personalizado e a impor o seu domínio desde o apito inicial.

Logo no primeiro minuto, Rodrigo surgiu em boa posição e atirou forte, mas a bola bateu “à queima-roupa” no braço de Lichtsteiner. O árbitro Mark Clattenburg não assinalou nada, considerando bem o lance casual, apesar de alguns protestos dos encarnados. Tal não afetou a equipa da Luz, controlando os minutos seguintes sempre no último reduto da Juventus.

Porém, o campeão italiano rapidamente despertou e começou a lançar os poderosos Pogba e Vidal na área, desequilibrando no espaço criado pelos avançados Tevez e Llorente. A Juventus passou a empurrar o campeão nacional para o seu meio-campo, onde revelava mais dificuldades em sair para a transição ofensiva, já que o regressado Gaitán e Markovic não tinham espaço.

Vidal, Tevez e Pirlo eram os mais perigosos, mas o maior perigo para o Benfica surgiu somente nos descontos do primeiro tempo, com Luisão a segurar o Benfica na eliminatória. O capitão encarnado cortou o cabeceamento de Vidal em cima da linha de golo, quando Oblak já estava batido. Foi 'quase' um golo para os encarnados, que bem precisavam do intervalo.

Na segunda parte, a equipa regressou mais agressiva e determinada a pressionar a Vecchia Signora, agora sob um dilúvio incessante. Aos 50', o Benfica teve a sua melhor ocasião, com Rodrigo, isolado na área na sequência de um canto, a atirar por cima da baliza. Os 2500 adeptos tentavam puxar pela equipa no inferno de Turim, mas o Benfica estava destinado a sofrer esta noite. Aos 61', Pirlo testou a atenção de Oblak num livre, mas o esloveno não fraquejou perante o maestro italiano.

Tudo mudou para os encarnados aos 66', quando o argentino Enzo Pérez foi expulso por falta sobre Vidal e deixou o Benfica reduzido a 10 elementos. Uma repetição face aos jogos anteriores, onde os encarnados até saíram por cima, tal como aconteceria esta noite.

Pouco depois foi a vez de Osvaldo, que saltou do banco de suplentes, colocar a bola na baliza do Benfica, mas a jogada foi bem invalidada por fora de jogo de Pogba. Antonio Conte desesperava no banco de suplentes dos 'bianconeri', por ver a sua equipa dominar territorialmente sem chegar ao golo.

Com um assédio enorme à baliza de Oblak, os encarnados foram então gigantes na capacidade de sofrimento, ficando a jogar com nove face à lesão de Garay já em cima dos descontos. Curiosamente, os italianos, que revelavam cada vez menos discernimento, praticamente deixaram de criar ocasiões de golo. E assim o nulo resistiu até ao apito final de Mark Clattenburg, ditando novo regresso do Benfica a Turim, desta feita para defrontar o Sevilha, na final de 14 de maio.