A imprensa francesa de hoje destaca "o pragmatismo" e "o realismo" da seleção das quinas no Euro2016, na sequência da vitória contra o País de Gales por 2-0, e do apuramento para a final.

"Ronaldo não falhou" é o título escolhido pelo l'Equipe na capa, ainda que a primeira página do desportivo esteja praticamente toda ocupada por uma imagem dos jogadores da Seleção Francesa sob o título "Dia de Glória".

"Uma primeira parte completamente fechada, uma segunda totalmente dominada por Portugal", comenta o diário sobre a partida, acrescentando: "A equipa de Fernando Santos apagou o País de Gales (2-0) em dois tempos esta quarta-feira. Pragmáticos, os portugueses - que ainda não tinham ganhado um jogo nos períodos regulamentares - começaram por ser desconfiados e não tomaram nenhum risco nos primeiros 45 minutos."

O L'Equipe acrescenta, ainda, que Cristiano Ronaldo foi "decisivo e recordista" e que "ainda que por vezes criticado neste Euro, Cristiano Ronaldo respondeu aos detratores", tendo igualado Michel Platini "ao tornar-se no melhor co-marcador da história da prova, com nove realizações em vinte jogos e em quatro edições".

O Le Parisien aponta que "os portugueses, guiados por um Cristiano Ronaldo finalmente brilhante, fizeram o seu melhor jogo no melhor momento", escrevendo que a final vai decorrer no "país que conta com mais de um milhão de portugueses" e que espera que seja a França a disputar a final "para uma festa formidável da fraternidade entre dois povos habituados a conviver".

O diário lembra que "até ontem, os lusitanos apareciam como uns milagrosos" ao "chegar às meias-finais sem ganhar um único jogo no tempo regulamentar" e adianta que Cristiano Ronaldo "não deixará escapar, aos 31 anos, a segunda oportunidade - e a sua última - de oferecer um título ao seu país".

"Foi a vitória do realismo contra o jogo bonito. Mas os portugueses não se interessam. Eles não estão aqui para seduzir mas para ganhar. Parece que aprenderam com a lição grega de 2004. O selecionador passou mais de dez anos neste país e trouxe certamente na bagagem o 'know-how' dos campeões da Europa 2004", descreve o jornal.

O Le Monde escreve "Portugal acaba com o conto galês e conquista a final", considerando que bastaram "apenas cinco minutos - o suficiente para uma reviravolta um pouco cruel - para carimbar o bilhete para a final".

"Com dois golos de Ronaldo (aos 49) e de Nani (aos 53), inscritos no início da segunda parte, a Seleção dominou uns galeses valorosos até ao final do seu primeiro torneio mas demasiado dependentes da estrela Gareth Bale", lê-se na edição online, com o jornal a defender que durante a competição, o País de Gales foi "um coletivo mais emocionante do que os portugueses", os quais "tiveram o mérito de iludir os adversários".

O Libération fala de "aborrecimento" na primeira parte, com "os vinte primeiros minutos mergulhados em formol e o arrependimento de não se ter bebido um café duplo após o jantar" e considera que "o jogo durou os três minutos" do intervalo de tempo dos dois golos portugueses.

"Sem Pepe, os portugueses impõem o falso ritmo que gostam tanto e os galeses, na ausência do criador Ramsey, são prudentes como os mineiros que exploram uma nova galeria", descreve a reportagem que, mais adiante, lamenta "o verde florescente português e o cinza-preto-verde galês, atentados contra o bom gosto".

Em tom de balanço, o Libération considera que os jogadores galeses "podem ir para casa" e que "para um país de três milhões de habitantes que não participava em uma competição internacional desde o Mundial de 1958, a performance foi excecional", apontando que "o percurso de Portugal faz lembrar o da Grécia em 2004".

O Le Figaro também escreve que "os dragões, autores de um percurso admirável, podem deixar o Euro de cabeça erguida, ainda que tenham arriscado uma derrota mais dolorosa no final da partida", lembrando que Fernando Santos tinha razão quando disse que ia para casa a 11 de julho.

O diário escreve que "Portugal conseguiu a final, a segunda da sua história num Euro, doze anos após a derrota traumatizante contra a Grécia", sublinhando que "pelo caminho assinalou a primeira vitória" e que "com uma magnífica cabeçada, Ronaldo junta-se a Platini na história do Euro" dos melhores marcadores.

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