"Descontraídos, a conversar, e cheios de sorrisos antes da entrada em campo" foi desta forma que os espanhóis descreveram a entrada do Sporting no Wanda Metropolitano frente a um Atlético que "parecia um exército".

Os homens de Jorge Jesus em Madrid até tiveram mais posse de bola, mas acabaram traídos por dois erros individuais e por uma entrada sem alma.

Acossado pela crítica, interna e externa, o leão quis lamber as feridas e entrou de peito feito num noite que até prometia ser abençoada perante um enorme dilúvio na capital.

Diego Simeone já tinha admitido que Jorge Jesus poderia inovar na tática. O técnico português fez-lhe a vontade ao apostar num esquema com três centrais: André Pinto, Coates e Mathieu foram os homens escolhidos. Montero era o homem mais adiantado.

Muitos treinadores concordam que a posse pode ser sinónimo de coisa nenhuma. O Sporting falhou nesse capítulo em Madrid, mas transfigurou-se em Alvalade. A agressividade sobre a posse de bola confundiu a turma de Simeone, que se viu embriagada pela mobilidade leonina. Bruno Fernandes que esteve escondido na capital espanhola assumiu o papel de dínamo do meio campo.

Com bola, mas, desta feita, a saber o que fazer com ela, os leões começaram por se impor em dois capítulos fundamentais em que o Atlético é mestre. Forte na recuperação de bola e na reação à perda.

Os leões colocaram muita intensidade nos primeiros minutos e tiveram a entrada que se pedia. Alvalade estava engalanada à espera de outra grande noite europeia. O primeiro aviso foi de Acuña. Estava dado o mote: O Atlético respondeu logo a seguir por Diego Costa, mas não mais se veria a equipa espanhola na primeira parte.

Alvalade gritou ao golo aos 11 minutos, mas ainda não seria aí que o estádio haveria de explodir. Estava lá Oblak, que parou um cabeceamento que tinha selo de golo de Coates.

Alvalade já só tinha que esperar por mais alguns minutos. A jogada começou em Ristovski, Oblak desviou, esta sobrou para Montero que colocou a bola dentro da baliza. Era o que se pedia: O leão marcava cedo e o cínico Atlético estremecia.

Nem a lesão de Mathieu, que saiu por lesão para entrada de Petrovic abalou o leão que encostava a armada de Simeone às cordas. O rei de Alvalade estava felino, mas não se deslumbrava. Coração de leão, cabeça de equipa grande. A equipa de Jesus sabia que não tinha que ir com tudo na procura do segundo golo, pelo menos ainda na primeira parte. A avalanche ofensiva poderia ser o canto do cisne, já que um golo do Atlético significava o tampão final da eliminatória.

Havia tempo. O resto do filme estava reservado para a segunda parte. Seguro com a bola nos pés, -  tão diferente do jogo há oito dias, o Sporting podia ter empatado a eliminatória ainda antes do intervalo. Gelson quis fazer de Bas Dost num cabeceamento, mas falhou uma bola que parecia certa no fundo das redes.

A segunda parte foi mais calculista, mais ao jeito do experiente Atlético. O Sporting sabia que não podia 'disparatar na defesa'. Manietado pelo Sporting na primeira parte, o Atlético subiu de produção. Voltou a ser aquela equipa que está habituada a ganhar Ligas Europa e a chegar longe na Champions. Aqui também apareceu Griezmann, o nome maior dos 22 em campo em Alvalade. Simeone arriscou, ao colocar Torres em campo, tirando um desinspirado Diego Costa.

Mas o Sporting foi à procura do sonho. Freddy Montero teve o empate nos pés, mas o Oblak como que um gigante intimidou o colombiano, e a bola saiu frouxa, demasiado fácil, quando se pedia um 'chutão'.

Jesus arriscou tudo. Lançou Rúben Ribeiro e Doumbia. A sorte estava lançada. O Sporting tentava tudo, mas também destapava a defesa e dava espaço ao Atlético. O leão queria pelo menos o prolongamento.

Lá atrás podia sempre contar com Patrício. Griezmann teve por três vezes o golo nos pés. Numa situação Patrício tirou-lhe o pão da boca numa espantosa mancha. Pouco depois, o francês pouco habituado a falhar nestes grandes momentos, trocou as voltas a André Pinto e com tudo para fazer, atirou ao lado.

As energias iam-se esgotando. O leão já tinha corrido quilómetros. Na última jogada do jogo, Petrovic com espaço para rematar atirou por cima.

Acabou por ser insuficiente. O prolongamento seria um prémio justo, mas fica na retina um Sporting que foi transcendente desde o primeiro minuto. Pode ser que o triunfo faça virar uma página a uma semana que foi negra para a turma de Alvalade.

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