Telma Santos e Pedro Martins vão viver no Rio2016 uma qualificação olímpica no badminton conquistada a dois, depois de quatro anos em que, além de cunhados, foram o treinador um do outro.

Durante praticamente quatro anos – ou, para ser mais precisos, oito -, Pedro Martins e Telma Santos foram a família, mas também o treinador, o melhor amigo e o companheiro de jornada um do outro. “Viajo com o Pedro já há oito anos – foram as duas qualificações olímpicas. Vamos sempre puxando um pelo outro e, na falta de um treinador – nunca pudemos ser acompanhados por um –, somos o treinador um do outro. Todos os títulos, esta qualificação, tudo o que conseguimos foi muito satisfatório para nós”, confessou à Lusa a representante feminina do badminton português no Rio2016.

Telma Santos sentiu a qualificação de Pedro Martins “um bocadinho” como sua, algo que também aconteceu no sentido inverso. “Foi um trabalho de equipa, de família também. Tivemos até de dividir quarto para poder viajar mais. É bom chegar ao fim e ver que não vai só um, vão os dois”, completou.

Pedro Martins, de 26 anos, também não esconde que a presença da cunhada ajudou e muito na fase de qualificação: "É muito difícil estarmos lá sozinhos, sem treinador. O facto de ela estar lá tornou tudo mais fácil. Sempre que eu ia jogar, ela apoiava-me e vice-versa. Por isso, foi muito bom tê-la como companhia, como amiga”.

Os dois passaram por momentos difíceis, mas hoje, olhando para trás, o atleta do Che Lagoense acredita que todos os sacrifícios valeram a pena, mesmo os torneios em campos sem janelas, sem portas, onde as rajadas de vento marcavam presença, e cujo chão se assemelhava ao de quintais. “Tudo isto foi um trabalho de equipa e ter conseguido qualificar-me foi a cereja no topo do bolo. Não é que se não conseguisse qualificar-me não tivesse valor, não é isso, mas todo o caminho que percorri fez-me aprender bastante. Fiz novas amizades, superei-me e penso que valeu tudo a pena”, destacou.

A atleta de Peniche, prestes a completar 33 anos, é da mesma opinião, inclusive porque sabe que há muitos atletas que nunca alcançam o sonho de estar nos Jogos Olímpicos. “Vão tentando, de quatro em quatro anos, e às vezes nunca conseguem um lugar no maior evento multidesportivo do mundo. É complicado viajar pelo mundo inteiro, porque qualificar-se no badminton é difícil, é através do ‘ranking’. Claro que o faço por gosto, mas após duas operações ao joelho num ano [este apuramento] teve um significado diferente. Cada viagem que fiz ou cada vitória teve um sabor muito importante para esta qualificação”, lembrou.

Com o Rio2016 à espreita, os dois atletas vão contar, novamente, com o apoio um do outro. “Fizemos a qualificação junta, conhecemo-nos melhor e, sem dúvida, que ela me vai ajudar também, porque ela tem muita experiência. Embora seja na vertente feminina, há coisas comuns, transversais à nossa disciplina”, concluiu Pedro Martins.

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