A Associação de Basquetebol de Lisboa (ABL) repudiou hoje o alegado assédio sexual denunciado pela árbitra Carolina Bento, que já motivou a instauração de um processo de inquérito pela Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB).

Em comunicado, a ABL assumiu-se “surpreendida” com o episódio ocorrido em 2019 e relatado pela antiga árbitra Carolina Bento, numa publicação ‘online’ do Instituto Superior Técnico, sem identificar o alegado agressor ou que tivesse avançado atempadamente para um processo judicial.

“Desconhecendo totalmente esta situação que agora se descreve, dado que se diz ter ocorrido em 2019, a confirmar-se o seu descritivo, queremos repudiar frontalmente esta e qualquer tipo de práticas e comportamentos de assédio sexual, moral ou profissional, venham eles de onde vierem”, lê-se no comunicado da ABL, acrescentando aguardar o desenrolar do processo nas instâncias disciplinares da FPB.

Na sua publicação, Carolina Bento começou por lamentar a impossibilidade de avançar com um processo judicial: “Falámos com três advogados. Foi-nos dito que o processo prescrevera (devia ter lidado com isto em menos de seis meses na altura) e que ia apenas ser arquivado”.

A ex-basquetebolista e ex-árbitra, estudante de Engenharia Biomédica, descreveu a situação ocorrida no balneário único para a equipa de arbitragem, após a nomeação para um jogo com um árbitro do sexo masculino.

“Nestes casos, equipamo-nos sempre um de cada vez, enquanto o outro espera lá fora”, afirmou, acrescentando que acabou por se vestir na casa de banho, sendo depois surpreendida: “Quando saí ele ainda não estava completamente vestido, ainda tinha as calças desapertadas e continuava a falar comigo como se não se passasse nada, eu comecei a arrumar as minhas coisas para me distrair do que se estava a passar. Na altura não achei que isto tivesse sido propositado, não pensei no assunto, não liguei”, relatou.

No final do jogo, em que foi necessário recorrer às autoridades devido ao comportamento de um adepto, voltaram as investidas, no mesmo balneário, enquanto Carolina Bento tomava banho e ambos esperavam pela escolta policial para abandonarem o local.

Ainda de acordo com a ex-árbitra, o colega entrou nos chuveiros, “completamente nu”, advertindo, depois, para que mantivesse o silêncio: “não digas a ninguém que tomámos banho juntos, é mau para mim e para ti também”.

Carolina Bento recuperou ainda outro episódio, posterior, com o mesmo visado, por estar a enviar mensagens a “uma oficial de mesa na altura menor de idade”.

“Temos de nos questionar se o mundo do desporto está a fazer o suficiente para proteger as suas e os seus atletas. Temos de nos questionar se a ausência de casos não resulta de um medo de falar sobre isso. Temos de nos questionar se a ausência de casos não resulta de uma proteção por parte dos clubes e das federações. Mais importante, temos de nos questionar sobre o que podemos fazer de melhor. O desporto não é isto”, vincou a árbitra.

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