A direção da Associação Regional de Futebol de Santiago Sul (ARFSS) considerou não existir condições para a retoma da época futebolística, alegando que o impasse e a “decisão precipitada de cancelar todas as competições” desmobilizou os clubes filiados.

Esta posição foi defendida pelo presidente da ARFSS, Mário Donnay Avelino, que procurou a Inforpress para manifestar o seu desagrado em como vai ser “extremamente difícil” dar continuidade aos campeonatos regionais e o nacional, alegando que a maior parte dos clubes trabalham “como profissionais, geridos por direcções amadores”

Apontou a falta do poder económico dos clubes para reconstituírem o plantel, problemas sanitários motivados pela pandemia e aspecto temporal para a retoma da prova, como factores fundamentais que inviabilizam a realização dos regionais em qualquer região desportiva, sobretudo em Santiago Sul.

Afiançou a Inforpress que quase todos os presidentes das associações regionais pediram conjuntamente uma assembleia-geral extraordinária à mesa da assembleia-geral da Federação Cabo-verdiana de Futebol, por considerar “não ser de bom-tom” que cada região desportiva termine a época à sua maneira, quando regem pelo mesmo regulamento geral e disciplinar federativo.

Mário Avelino evocou o artigo 19º da FCF para ressaltar que “a responsabilidade administrativa cabe, efectivamente as associações regionais, mas mediante o aval técnico federativo”, razão pela qual entende “ser necessário que todas as partes interessadas se unam, neste momento sensível”, para se decidir quanto ao melhor caminho para o futebol.

Na óptica de Avelino, bastava um diálogo entre Governo, federação e associações regionais, antes de o Governo ter anunciado o cancelamento das provas desportivas a temporada 2019/20, como medida de segurança sanitária dos agentes desportivos, particularmente dos atletas, para que a maioria dos campeonatos regionais terminasse.

Atestou que as provas já estavam praticamente no final, altura que os poucos casos da covid-19 estavam circunscritos.

Disse que o impasse quanto a retoma das provas, ao longo do estado de emergência, foi prejudicial para as associações e clubes, pelo que, garantiu, as associações discordam do pronunciamento da FCF no sentido dos clubes terminarem a prova consoante as suas capacidades, ainda que a federação assuma os custos da prova.

Reconheceu que o presidente da FCF, Mário Semedo, tem feito “um grande trabalho” à bem do futebol cabo-verdiano durante toda a sua gestão e que merece respeito de todos, mas esclareceu que enquanto presidente da ARFSS defende o interesse dos clubes, embora admita “com humildade”, que possa estar errado.

Ainda assim, disse discordar, por outro lado, da forma como a FCF anunciou a atribuição de autocarros a seis das associações desportivas, por entender que esta comunicação, nesta altura, pode confundir a opinião pública em como “está-se a tentar tirar proveito de um imbróglio” para “fragilizar a união das associações”.

Realçou, entretanto, que as associações reconhecem que há regiões com mais carências que outras, mas que estas preferem fazer a “gestão transparente” destes autocarros e colocá-los à disposição da FICASE durante a semana para transportes dos alunos, e aos fins-de-semana para associações.

Manifestou ainda a sua apreensão pela “demora quanto a remodelação do relvado do Estádio da Várzea”, cuja FCF garantiu ter já praticamente reunido o financiamento junto da FIFA, mas alega que por ser o mais utilizado do País, o sintético está “há muito impraticável”, colocando a integridade física dos jogadores em risco, com “muitas lesões já agravadas” nos atletas.

Por isto, disse entender que, por ser um estádio municipal, da capital, a autarquia juntamente com a FCF poderia agilizar a substituição do relvado durante esta paragem de modo que quanto a época for retomada esteja à altura de receber provas sem qualquer interregno.

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