Há 50 anos: Pelé e os inesquecíveis 'gols' que não marcou na Copa de 1970

Pelé e os inesquecíveis 'golos' que não marcou aos guarda-redes Viktor, Banks e Mazurkiewicz no campeonato do México de 1970, competição conquistada pelo Brasil. Lances que ainda são lembrados, apesar de terem acontecido há meio século.

Estes são os 'golos' que Pelé não conseguiu marcar a Ivo Viktor, Gordon Banks e Ladislao Mazurkiewicz no Campeonato do Mundo de 1970. 'Golos' que não aconteceram, mas que são inesquecíveis: Uma bomba contra a antiga Checoslováquia; Uma cabeçada certeira frente à Inglaterra; Um drible fenomenal contra o Uruguai. As três jogadas mereciam terminar em golo. Quis o destino que isso que não acontecesse, mas estes lances protagonizados no estádio Jalisco continuam na na memória do futebol 50 anos depois.
Em 1970, Pelé já era um velho conhecido no México. Não apenas pelos dois títulos mundiais (Suécia-1958 e Chile-1962) conquistados com a seleção, mas também pelas visitas feitas ao país com o Santos em 1959 e 1961. Quando foi ao México cumprir com estes compromissos, Edson Arantes do Nascimento era muito jovem, mas encantou os adeptos mexicanos com jogadas mirabolantes.

Numa dessas digressões com o Santos, o jornalista mexicano Teodoro Cano teve a oportunidade de conversar com o 'Rei' sobre sua magia dentro de campo. "Eu cobri um treino e fui ao balneário. Dei de caras com Pelé sentado, estava sozinho", conta Cano à AFP. "Criei coragem, sentei-me ao lado dele e fiz-lhe uma pergunta: 'O que lhe passa pela cabeça quando tenta algo uma jogada inesperada?'". Esta foi a resposta do craque brasileiro: "Eu tenho que tentar até o impossível. Se der certo, bom para mim, se não der, tenho que tentar novamente".

Anos depois, quando o Brasil esteve no México para participar no Mundial de 1970, Pelé já se tinha tornado numa lenda mundial. Durante a prova, o jornal 'El Informador', de Guadalajara, publicou um trabalho com um jornalista brasileiro, que tinha encantado muitos mexicanos contando histórias dos feitos do Rei: "Pelé quer marcar golps lindos porque ele não pode fazer dois golos iguais. Ele também não pode fazer golos muito fáceis".

O pontapé canhão contra Viktor

Quarta-feira, 3 de julho. Brasil contra a Checoslováquia no primeiro jogo da fase de grupos. Pelé recebe a bola no círculo central, ainda no meio-campo do Brasil, e de lá arrisca um chapéu ao ver que o guarda-redes Ivo Viktor estava adiantado. Angustiado, o goleiro acompanha a trajetória da bola de cerca de 65 metros que termina rente ao travessão da sua baliza, mas do lado de fora do campo. "Pelé tinha grande visão de jogo e acredito que, de onde ele estava, conseguiu ver uma brecha", analisou Cano recentemente.

Também Mário Lobo Zagallo, técnico do Brasil naquele Mundial, declarou: "Das 70.000 pessoas no estádio somente Pelé viu o guarda-rede adiantado".

Ao astro brasileiro, sobrou o lamento: "Era o golo que me faltava. Quase consegui".

A 'chicotada' em Banks

Domingo, 7 de junho: Brasil contra a Inglaterra no segundo jogo da fase de grupos. Jairzinho avança pelo corredor direito, chega à linha de fundo e cruza com peso, conta e medida para Pelé. A imagem segue fresca na memória de Teodoro Cano: "Parecia que Pelé tinha conseguido marcar com uma forte cabeçada, mas Gordon Banks apareceu e se lançou para a direita, tirando a bola perto da trave e em cima da linha do golo". Naquele momento, Banks ficou imortalizado por ter realizado "a defesa do século".

Gordon faleceu em 12 de fevereiro de 2019 e Pelé homenageou-o relembrando a famosa sequência da cabeçada e da defesa. "Banks apareceu como um fantasma azul. Ele veio do nada e fez o que eu não achava ser possível. Ele puxou a bola, de alguma forma, para cima e para fora do campo. E eu não pude acreditar no que eu vi. Até hoje, quando assisto, não acredito".

A finta a Mazurkiewciz

Quarta-feira, 17 de junho: Brasil contra Uruguai nas meias-finais. Tostão lança Pelé, e o guarda-redes Ladislao Mazurkiewicz sai do baliza para tentar evitar um mano a mano, mas o astro brasileiro leva a melhor com uma finta de corpo surpreendente. A bola desliza por um lado do guarda-redes uruguaio, enquanto Pelé sai pelo outro, antes de tentar uma finalização já desequilibrado. Um lance que ainda emociona e frustra Teodoro Cano: "Praticamente sem ângulo, ele tentou o remate rasteiro que passou raspando a trave esquerda. Foi algo incrível!". "Se a bola entra, o estádio vinha abaixo", continua o jornalista mexicano.

Com o passar do tempo, Mazurkiewicz – já falecido– falou com bom humor do lance em 2013. O uruguaio sentia-se rejubilante, apesar de ter sido driblado: "Eu saí da baliza e Pelé fez uma jogada excepcional, mas não foi golo, e é isso que eu sempre quis na minha vida, que não me marcassem".
Há pessoas que acreditam que o lance deveria ter terminado em golo e sentiram a necessidade de corrigir o destino. Graças à tecnologia, um vídeo foi editado para que a jogada terminasse com Pelé a colocar a bola no fundo das redes.

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