O piloto de aviões David Henderson foi hoje em tribunal declarado culpado de “colocar em risco a segurança da aeronave”, no acidente que vitimou o futebolista argentino Emiliano Sala, em janeiro de 2019.

O tribunal de Cardiff, no País de Games, considerou Henderson culpado da maioria das acusações, depois do próprio piloto, de 66 anos, ter assumido que organizou a viagem entre França e o Reino Unido sem as devidas autorizações necessárias, além de ter ignorado as más condições meteorológicas.

Henderson era o responsável pela viagem de Sala para o País de Gales, onde o avançado argentino, que alinhava pelo Nantes, iria assinar pelo Cardiff City, que na altura disputava a Premier League, acabando por delegar a função de pilotar a aeronave a um amigo, David Ibbotson, que também morreu no acidente.

O avião despenhou-se no Canal da Mancha em 21 de janeiro de 2019. O corpo de Sala foi recuperado duas semanas depois, enquanto os restos mortais de David Ibbotson nunca foram encontrados.

A pena de Henderson será conhecida em 12 de novembro.

O processo

Segundo a acusação, David Henderson, e que também é piloto, foi imprudente e agiu com negligência na organização dos voos “quando a aeronave não estava autorizada a fazê-lo e quando utilizou um piloto não qualificado ou competente” para o substituir.

O Piper PA-46 Malibu, privado, acabou pilotado por David Obbotson, de 59 anos, cujo corpo nunca apareceu.

No quarto dia do julgamento, Henderson tinha explicado que estava de férias em Paris quando foi contactado pelo agente William McKay para tratar do transporte do jogador sul-americano.

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Em 19 de janeiro, Sala viajou para Nantes para se despedir dos seus colegas e tratar de assuntos pessoais e dois dias depois, quando se deu o acidente, regressava para se instalar definitivamente em Cardiff.

David Henderson contou que, face à sua impossibilidade de realizar o voo, contactou Ibbotson, “que imediatamente disse que sim”.

No seu relatório final publicado em março de 2020, o British Aviation Accident Investigation Bureau (AAIB) estimou que o piloto perdeu o controlo do avião, que partiu durante o voo numa manobra realizada em velocidade muito alta, "provavelmente" para evitar o mau tempo e poder voar à vista, a baixa altitude.

O corpo do antigo futebolista de 28 anos foi encontrado na carcaça do aparelho mais de duas semanas após o acidente, a 67 metros de profundidade, já depois das buscas oficiais terem terminado; seria a família a prosseguir com esse trabalho, que seria bem-sucedido.

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