As Associações Distritais e Regionais de Futebol (ADR) manifestaram hoje o seu descontentamento pela exclusão do desporto do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), considerando que a opção governativa coloca em causa a sobrevivência de centenas de clubes.

“As Associações Distritais e Regionais de Futebol não compreendem o critério aprovado e, por esta via, manifestam o seu descontentamento, já que nos causa estranheza o facto do desporto não se encontrar contemplado em tão importante documento, considerado fundamental para o desenvolvimento de Portugal durante a atual década”, pode ler-se num comunicado das ADR enviado hoje à agência Lusa.

As associações avisam que a decisão do Governo, que não contemplou o desporto no PRR, coloca em causa, “de uma forma decisiva, a sobrevivência da já debilitada atividade de muitas centenas de clubes”, provocando o “progressivo colapsar do tecido associativo desportivo do nosso País, com todas as consequências dramáticas que isso implicará em termos de coesão territorial da nossa sociedade”.

“Os clubes filiados nas Associações Distritais e Regionais de Futebol são os responsáveis pela realização de milhares de jogos semanais, movimentando várias dezenas de milhar de cidadãos, que proporcionam uma atividade semanal ao longo do ano, sendo considerado um setor de atividade económica com grande capacidade de atrair investimento e uma boa fonte de receita fiscal para o Estado”, destacam.

Assim, as ADR solicitam ao Governo que considere “toda esta situação, já que as competições distritais assumem um papel de relevo no desenvolvimento desportivo, mas também social e económico das regiões e do país”.

Num comunicado extenso, no qual abordam o “enorme impacto” da pandemia de covid–19 no setor, provocado, nomeadamente, pela “falta de público” e pela “paralisação da atividade dos escalões de formação”, mas também pela inexistência “até ao momento” de qualquer apoio governamental, as ADR alertam para o risco de se estar a “comprometer a evolução desportiva de milhares de praticantes, que aspiram chegar ao topo da pirâmide desportiva”, o que “terá reflexo na qualidade e competitividade” das seleções nacionais e dos “clubes de topo”.

As entidades notam ainda que “com a não inclusão do desporto no PRR se perde uma excelente oportunidade para efetuar a reabilitação e modernização das instalações desportivas existentes”, assim como para “elaborar um plano de infraestruturas desportivas inovador adequado à atual realidade das necessidades da população” e um “plano de revitalização financeira dos clubes, ADR´s e federações”.

Por último, apelam à consideração do Governo para que “a prática desportiva dos escalões de formação e dos seniores possa vir ainda a ser enquadrada, em parte, no âmbito de alguma das dimensões apresentadas, como é o exemplo da Transição Digital, com os programas de formação de jovens e de adultos aprovados”.

O PRR de Portugal, para aceder às verbas comunitárias pós-crise da covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções.

O documento tem sido criticado pelas estruturas desportivas nacionais, nomeadamente Comité Olímpico de Portugal (COP), Confederação do Desporto de Portugal (CDP) e Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), por excluir recomendações de Bruxelas e objetivos da Estratégia Portugal 2030, nos domínios da atividade física e desportiva das populações.

Depois de um rascunho apresentado à Comissão Europeia em outubro passado e de um processo de conversações com Bruxelas, o Governo português colocou na terça-feira a versão preliminar e resumida do PRR em consulta pública, no qual estipula “19 componentes, que integram por sua vez 36 reformas e 77 investimentos”.

O executivo justifica que, “com base no diagnóstico de necessidades e dos desafios”, foram definidas três “dimensões estruturantes” de aposta - a da resiliência, da transição climática e da transição digital -, às quais serão alocados 13,9 mil milhões de euros em subvenções a fundo perdido das verbas europeias pós-crise.

Previsto está que a maior fatia (61%) das verbas do PRR se destine à área da resiliência, num total de 8,5 mil milhões de euros em subvenções e de 2,4 mil milhões de euros em empréstimos.

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