Os incidentes verificaram-se no campo da Liberdade, no Montijo, cidade em que os dois clubes se defrontaram em partida da sexta jornada da 1.ª Divisão distrital da Associação de Futebol de Setúbal, que terminou com uma igualdade (0-0).

Nos dois vídeos a que a Lusa teve acesso são audíveis e visíveis vários disparos para o ar efetuados pelos agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) – informação que foi confirmada pela Direção Nacional que remete para esta segunda-feira mais detalhes sobre o sucedido em comunicado – para pôr cobro às agressões que se verificavam entre jogadores e alguns adeptos, que tinham invadindo o campo.

Veja o vídeo

À Lusa, Paulo Martins, treinador do Vitória de Setúbal, considerou que caso não tivessem sido feitos os disparos para o ar pelos agentes da autoridade, para pôr cobro aos desacatos, as consequências poderiam ter sido piores.

“Se a polícia não desse aqueles tiros para acabar a confusão teria sido muito pior. Se calhar deviam era ter evitado que as pessoas tivessem entrado dentro do campo”, disse.

Opinião diferente tem Marco Bicho, treinador do Olímpico do Montijo, que não poupa críticas à atuação das autoridades.

“Às vezes as equipas no final do jogo perdem um bocadinho o controlo emocional. Jogadores, treinadores e diretores juntaram-se um bocadinho e houve um conflito, umas agressões. Depois disso, a polícia perdeu o controlo”, afirma.

O técnico dos montijenses lamenta que uma situação como a que aconteceu hoje tivesse tido as repercussões que teve.

“Coloco uma questão: em inúmeras situações em que os jogadores se ‘pegam’ alguém já viu uma coisa destas em algum lado? Até com agressões piores que aquela, ninguém viu a polícia dar 10 tiros para o ar”, referiu.

Questionado sobre as razões que levaram a que os ânimos se descontrolassem após o apito final do árbitro, o técnico dos vitorianos, Paulo Martins, deu a sua versão dos acontecimentos.

“Quando acabou o jogo, em que o árbitro deu cinco minutos de compensação, fui cumprimentar um jogador adversário que me disse que éramos nojentos porque tínhamos feito antijogo. Um adjunto da equipa adversária chegou perto de mim e empurrou-me e depois disso caiu toda a gente em cima de mim”, relatou.

O timoneiro dos sadinos explicou que foi nessa altura que alguns adeptos que assistiram à partida na bancada do campo da Liberdade invadiram o relvado.

“Os adeptos saíram da bancada e invadiram o campo para me bater. Um deles deu um soco num jogador meu e as coisas descontrolaram-se ainda mais. Os jogadores começaram todos à ‘porrada’, contou.

Marco Bicho, do Olímpico do Montijo, reconhece que o que aconteceu deveria ter sido resolvido de outra forma por todos os intervenientes, autoridades incluídas.

“As agressões que existiram é sempre uma situação criticável, mas se não tivesse havido a atuação desproporcional que houve da polícia não teria estas proporções”, considerou.

Paulo Martins garantiu estar de “consciência tranquila” porque não acicatou os ânimos, tendo se mantido afastado da zona em que os desacatos se verificaram.

“Acusaram-me de ter cuspido e de ter feito gestos obscenos para a bancada no final do jogo. Não fiz nada e quem for honesto e estava lá pode confirmá-lo. Nas imagens vê-se que estou no meio-campo sozinho, enquanto os jogadores estão à ‘porrada’ e a polícia aos tiros”, disse.

De forma a prevenir mais incidentes, a PSP escoltou o autocarro que transportou a equipa sadina desde o campo da Liberdade até à entrada na autoestrada.

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