Adriano escreveu uma carta ao 'The Players Tribune' onde descreve a sua carreira de futebolista e a depressão que o levou a deixar tudo. Num testemunho impressionante, o antigo internacional brasileiro fala da sua infância numa favela do Rio de Janeiro, os primeiros anos no Flamengo, a transferência para o Inter Milão e a dispensa por parte de José Mourinho.

Depois de confessar como era feliz a viver na favela, o 'Imperador' contou a influência da avó na sua vida. Uma avó que chegou a encher uma panela gigante de água quente para atirar aos jornalistas acampados no exterior da residência de Adriano no Inter e que, durante oito anos, acompanhou o neto nas deslocações à Gávea para os treinos no Flamengo.

"Quando eu era criança, ela ia comigo no autocarro todos os dias para o treino e, como não tínhamos muito dinheiro, a minha avó costumava fazer pipocas para comermos. Ou, de vez em quando, ela cortava um pedaço de pão e punha um pouco de açúcar no meio. Coisas simples. Era o que tinha. Mas, às vezes, as coisas simples têm o melhor sabor, não é? Ainda mais quando estás com fome. Lembro-me do gosto dessa pipoca até hoje", confessou.

Na carreira de Adriano, tudo aconteceu rápido demais. O antigo craque agradece a Deus pelo que foi conseguindo com o futebol. Da quase dispensa no Flamengo, onde era lateral esquerdo, à sua estreia na equipa principal, aos 17 anos, à chamada a seleção principal do Brasil.

Um ano depois estava no Inter Milão, a jogar com craques como Seedorf, Ronaldo Fenómeno, Zanetti, Toldo. Em Itália ganhou a alcunha de Imperador. Depois, de repente, tudo mudou.

"Às vezes, acho que sou um dos jogadores de futebol mais incompreendidos do planeta. As pessoas realmente não entendem o que aconteceu comigo. Eles entenderam a história toda errada. É muito simples, para dizer a verdade. No intervalo de nove dias, fui do dia mais feliz para o pior da minha vida. Fui do céu ao inferno. Mesmo!"

O céu, foi o golo que ajudou o Brasil a vencer a Argentina na final da Copa América, a 25 de julho de 2004. Um jogo onde a Argentina vencia e humilhava o Brasil: "Luís Fabiano queria dar soco em todo mundo! Hahaha! 'Esquece o jogo! Vamos pegar esses caras de porrada!'", recorda o Imperador.

A 04 de agosto, o craque recebeu a notícia da morte do pai. E tudo se desmoronou.

"Depois daquele dia, o meu amor pelo futebol nunca mais foi o mesmo. Ele amava o futebol, então eu amava o futebol. Simples. Era o meu destino. Quando joguei futebol, joguei pela minha família. Quando marquei, marquei para a minha família. Então, quando meu pai morreu, o futebol nunca mais foi o mesmo. Eu estava do outro lado do oceano em Itália, longe da minha família, e não conseguia lidar com tudo aquilo. Fiquei tão deprimido!. Comecei a beber muito. E não queria treinar. Não teve nada a ver com o Inter. Só queria ir pra casa", explica.

Depois veio uma conversa com Mourinho, que disse a Adriano que não contava com ele.

Foi no regresso ao Flamengo que Adriano reencontrou a alegria de jogar futebol. Não era o mesmo de antes, mas era qualquer coisa. Ajudou o Mengão a sagrar-se campeão Brasileiro.

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