Hoje Sérgio Vieira, 33 anos, é um treinador falado no Brasil por ter vencido o Palmeiras, empatado com o Corinthians e liderar a pequena Ferroviária com mestria no Paulistão, mas esta história começa muito antes e em Portugal.

O princípio para um meio sem fim

Aos 21 anos, quando a carreira de muitos jogadores estava a começar, a de Sérgio Vieira estava a acabar. Jogava na antiga terceira divisão, no tempo em que Mourinho ganhava tudo o que podia no FC Porto. Percebeu que para chegar ao topo, poderia fazê-lo mais como treinador, em vez de ser mais um entre tantos outros jogadores.

“O que me levou a lutar por isso foi o sucesso de José Mourinho no FC Porto, naquelas temporadas em que conquistou tudo. Decidi então ir para a Universidade, para a Escola Superior de Desporto de Rio Maior, estudar treino desportivo de alto rendimento”, começou por contar ao SAPO Desporto.

Um Sporting pouco supporting

Estava então dado o tiro de partida para uma prova de fundo com várias etapas. Naval, Condeixa, Académica, SC Braga, e em 2011 chegava ao Sporting pelas mãos de Domingos Paciência.

O candidato à presidência, Godinho Lopes, tinha como trunfo eleitoral Domingos. Ganhou e contratou o treinador. E Domingos trouxe consigo Sérgio Vieira.

Aí viveu a fase mais conturbada da sua jovem carreira, mas que também lhe deu a possibilidade de trabalhar com vários treinadores (Domingos, Sá Pinto, Vercauteren, Oceano e Jesualdo Ferreira), em momentos delicados.

“Eu tento encarar qualquer situação negativa vendo nela uma aprendizagem. Foi importante para ver como as pessoas se comportam em situações negativas, em função do poder e dos resultados desportivos”, afirmou, lembrando que isto o preparou para “a instabilidade no futebol”.

Meu fado, teu samba

Depois de uma experiência com Jesualdo Ferreira no Sporting e, posteriormente no Sporting de Braga até fevereiro de 2014, sempre como adjunto, decidiu parar e conhecer outras realidades. Em setembro de 2014 partiu para o Brasil, onde conheceu um novo mundo e recebeu um convite.

“Aqui não existem treinadores portugueses, e estrangeiros são muito poucos. Mais do que a parte económica, aquilo que nós deixamos na história dos clubes é o mais importante. Quero deixar um legado”, e em fevereiro de 2015 já treinava os sub-23 do Atlético Paranaense.

Preconceitos existem sempre, mas não os sentiu na pele. Sérgio Vieira respondeu com trabalho e resultados nos sub-23 da equipa brasileira. “Acho que fui muito bem recebido. Claro está que isto está associado aos resultados, mas também tem que ver com a forma de comunicar com os outros”, explica.

Próxima paragem: Ferroviária

Daí até até à Ferroviária teve pelo meio um apeadeiro chamado Guaratinguetá, que ajudou a salvar da descida à série D na época passada.

“A Ferroviária está a estruturar-se. Temos 3 relvados, boas condições, mas no Atlético PR tínhamos uma academia com sete ou oito campos. A privacidade não é a mesma, aqui temos gente a assistir a quase todos os treinos, sejam sócios ou jornalistas locais”.

E se no início o objetivo era garantir a permanência na série A1 do Paulista, hoje tudo mudou: “O primeiro passo era a permanência no paulista, depois conseguir um lugar nos quartos-de-final e garantir um lugar série D”.

A Ferroviária e a liderança do Grupo C no Paulistão é hoje a realidade de Sérgio Vieira, mas a ambição comanda o futuro: “As minhas ambições passam por treinar um clube grande e poder ganhar títulos nacionais e internacionais".

E porque não fazer a ponte entre Portugal e o Brasil com o Vasco a Gama? “Mais tarde quem sabe, o Vasco é dos grandes do futebol brasileiro".

Sérgio Vieira já chamou a atenção dos grandes de São Paulo ao vencer o Palmeiras por 2-1 e empatar com o Corinthians a dois, falta agora saber até onde pode ir o sonho deste português que está a dar que falar no futebol brasileiro.

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