A Federação Portuguesa de Futebol já não vai incluir qualquer limite orçamental no futebol feminino para a época 2020/2021. Em comunicado, a FPF explica explica que tomou a decisão depois de ter alcançado um entendimento com o Sindicato dos Jogadores, após reunião entre ambos.

"Sendo a Federação e o Sindicato parceiros na promoção e desenvolvimento da participação das mulheres no desporto em geral e no futebol em particular e face ao clima de intranquilidade gerado pelo facto da medida ter sido interpretada como uma discriminação em função do género – coisa que não é nem poderia ser -, a FPF informou o Sindicato que essa norma específica não constará do regulamento 2020/2021", refere a FPF em comunicado.

A FPF explica que será encontrada uma “solução alternativa que busque aquilo que todo o universo do futebol feminino deseja: mais equilíbrio competitivo”.

Eis o comunicado da FPF

" Federação Portuguesa de Futebol e Sindicato dos Jogadores chegam a entendimento e norma do limite orçamental não constará da proposta final.

A Federação Portuguesa de Futebol e o Sindicato dos Jogadores realizaram uma reunião de trabalho na sequência da interpretação sobre a norma de "limite orçamental" proposto para o regulamento 2020/21 da Liga feminina de futebol de 11 que está em discussão e recolha de contributos anterior à sua aprovação final.

Sendo a Federação e o Sindicato parceiros na promoção e desenvolvimento da participação das mulheres no desporto em geral e no futebol em particular e face ao clima de intranquilidade gerado pelo facto da medida ter sido interpretada como uma discriminação em função do género – coisa que não é nem poderia ser -, a FPF informou o Sindicato que essa norma específica não constará do regulamento 2020/2021.

Desta forma, em clima de diálogo social com o Sindicato de Jogadores, será encontrada uma solução alternativa que busque aquilo que todo o universo do futebol feminino deseja: mais equilíbrio competitivo.

Paralelamente, Federação e Sindicato continuam comprometidos a finalizar o acordo coletivo de trabalho com normas adequadas ao futebol feminino nacional, que traduzam as políticas ativas de discriminação positiva, como tem acontecido nos últimos 8 anos de forma inequívoca.

A FPF informou o Sindicato que manterá o plano de apoio para o setor no valor de 600 mil euros e que juntos trabalharão na melhoria desse programa de discriminação positiva que ajudará os clubes e contribuirá para o desenvolvimento das jogadoras portuguesas."

A proposta em causa constava no regulamento do campeonato de 2020/21, no artigo 93, ponto 1: "Face às circunstâncias excecionais decorrentes da pandemia COVID-19 e à necessidade de garantir o equilíbrio dos clubes e a estabilidade da competição, é estabelecido o limite máximo de 550 mil euros para a massa salarial das jogadoras inscritas na temporada 2020/21. Entende-se por massa salarial do plantel a soma dos salários e/ou subsídios declarados no contrato de cada jogadora".

As jogadoras de futebol feminino em Portugal criaram o movimento 'Futebol Sem Género' contra o limite salarial de 550 mil euros que a FPF estabeleceu aos planteis do principal escalão, que acusavam de ser "discriminatório".

Num Direito de Resposta enviado ao Sindicato dos Jogadores, 132  jogadoras signatárias do documento consideravam que o  teto salarial que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pretendia impor no principal escalão do feminino iria diminuir os níveis de competição no país.

No documento, a que a Lusa teve acesso, as atletas defendem que “as jogadoras estrangeiras não terão interesse em vir para Portugal”, uma vez que “nunca poderão augurar mais e melhores condições de trabalho e competição proporcionais ao seu nível desportivo” e que o mesmo se aplica “às jogadoras nacionais que se encontram a jogar em clubes estrangeiros”.

“A captação de jogadoras estrangeiras, de máxima qualidade, que também implicam um melhoramento da competição a nível interno irá, necessariamente, sofrer um revés”, concluem as jogadoras num dos 193 pontos que compõem o documento de direito de resposta à consulta pública lançada pela FPF sobre a proposta de alterações regulamentares para a época 2020/21.

O campeonato feminino de futebol terá mais oito equipas na próxima época, de 2020/21, passando de 12 para 20 clubes, informou em 06 de maio a FPF.

Esta época, face à crise sanitária existente com o novo coronavírus e a suspensão dos campeonatos, a FPF decidiu em 08 de abril "dar por concluídas, sem vencedores, todas as suas competições seniores".

O Benfica liderava a competição, com os mesmos pontos do Sporting, sendo o Sporting de Braga, campeão em título, terceiro classificado.

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