O projeto que previa a construção de "apartamentos de luxo" em Alfama, Lisboa, e que levaria ao despejo do Lusitano Clube, foi indeferido, disse hoje à Lusa o vereador do Urbanismo do município.

À margem da Assembleia Municipal de Lisboa, que se realizou hoje ao final da tarde, Manuel Salgado afirmou que o projeto "foi indeferido", mas escusou-se a avançar quais as razões que levaram a essa decisão.

Na semana passada, Pedro Aboim, da direção do clube, disse que o "edifício foi vendido a uma empresa estrangeira para apartamentos de luxo", e que, por isso, teriam de abandonar até janeiro o local onde estão instalados, na Rua São João da Praça.

O responsável desportivo explicou que há um ano foi feita uma renegociação da renda, tendo sido assinado um novo contrato para cinco anos. Mas, entretanto, o edifício foi vendido e a saída foi negociada com o novo senhorio, tendo o Lusitano Clube - que se apresenta como um espaço criado para "promover a cultura e a aproximação das pessoas do bairro" - acordado deixar o imóvel recebendo uma indemnização.

"Queremos continuar o Clube noutro local, mas não sabemos se poderá ser em Alfama", referiu Pedro Aboim na altura, acrescentando que a direção fez pedidos de reunião à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior e à Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Hoje, os deputados municipais aprovaram por unanimidade uma recomendação do Bloco de Esquerda que prevê que a CML "proceda a diligências com vista à possibilidade da manutenção do Lusitano Clube no mesmo local onde hoje se encontra".

O documento refere ainda que "na impossibilidade da concretização do ponto anterior, a CML deve diligenciar, ou procurar uma solução, em conjunto com o Lusitano Clube, para um espaço alternativo onde este clube possa continuar a sua atividade".

A recomendação foi votada por pontos, tendo a terceira alínea - que pedia que o Novo Regime de Arrendamento Urbano fosse substituído por "legislação que proteja devidamente os inquilinos e impeça processos de gentrificação" - merecido votos contra do CDS-PP e MPT, e a abstenção dos deputados independentes (eleitos nas listas socialistas).

Este ponto foi então aprovado por maioria, com os votos favoráveis de PSD, PS, Parque das Nações Por Nós (PNPN), BE, PCP, PEV, PAN.

Intervindo no período da reunião destinado aos munícipes, um responsável apontou que o Lusitano contactou a Câmara, mas "só ontem [segunda-feira] o gabinete do vereador Manuel Salgado respondeu a informar do indeferimento do processo".

Hoje, também o grupo parlamentar do Partido Ecologista "Os Verdes" enviou um requerimento à CML, onde questionou o município sobre "que solução está a ser equacionada para responder às necessidades e iniciativas em curso realizadas pelo Lusitano Clube".

O PEV quis também saber "qual a possibilidade de o clube permanecer no mesmo local ou, em alternativa, a CML lhes ceder novo espaço condigno na Freguesia de Santa Maria Maior". "Considerando a importância do movimento associativo para uma governação participada da cidade, quais as medidas de apoio que o executivo camarário está a ponderar tomar para com outras coletividades de Lisboa com situações semelhantes, a fim de se evitar a ocorrência de casos análogos?", remata o documento.

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