O ex-futebolista português Maniche diz orgulhar-se da campanha portuguesa no Euro2004 e recorda, em particular, o desempate nas grandes penalidades com a Inglaterra, com as defesas de Ricardo e as conversões de Postiga e... Ricardo.

«Foram momentos importantes e marcantes. Cada jogo, era um jogo em que tínhamos de ultrapassar cada seleção que vinha. O penalti do Postiga, o Ricardo a defender os penaltis e a marcar. Aquilo valeu mais pelo todo», afirmou Maniche, recordando o Euro2004, em entrevista à agência Lusa.

Portugal saiu derrotado da final da prova, frente à Grécia (0-1), mas isso não faz com que o antigo médio da seleção lusa não eleja a competição como um dos momentos mais importantes da sua carreira de futebolista.

«É inevitável não me lembrar do Euro2004. Foi um evento único que nos deixou muito orgulhosos, não só pela campanha que fizemos ao longo do Euro, mas pela envolvência em si. Penso que todos os portugueses estavam connosco, nós demos o nosso futebol, a nossa presença e a nossa trajetória e fizemos os portugueses orgulharem-se mais. Foi mais essa vitória que tivemos do que aquela final que jamais vamos esquecer, mas que nos passa um pouco ao lado, porque aquilo que vivemos ao longo do Euro2004 foi único», explicou Maniche.

O médio recorda ainda a viagem entre a Academia do Sporting, em Alcochete, e o Estádio da Luz, em Lisboa, feita a 04 de julho: «Os momentos, o apoio quando saímos de Alcochete até ao estádio era uma coisa incrível. As pessoas estavam connosco. Ai, viu-se os portugueses unidos. Toda a gente estava a lutar para levar a seleção até à final».

Charisteas fez o golo da vitória grega e tornou Portugal no único organizador a perder a final de um Campeonato da Europa, mas Maniche diz acreditar que foi o destino.

«Eu acho que tinha de ser. Perdemos o primeiro jogo contra a Grécia, perdemos o último. Acho que já estava escrito. Fizemos tudo, demos o máximo para ganhar a final e não conseguimos», frisou.

Antevendo o Euro2012, Maniche considera que, com a qualidade dos jogadores convocados, Portugal deve “ter confiança” na possibilidade de chegar, numa primeira instância, aos quartos de final, até porque a equipa das “quinas” também assusta os adversários.

«Eu acho que não há que ter medo de assumir que somos favoritos. Temos de ser mais orgulhosos daquilo que temos. Acredito que pensam que Portugal é uma seleção muito forte. Não podemos olhar muito para as outras seleções. Não escondendo que é um grupo bastante forte, temos de pensar em nós mesmos. Temos bons jogadores, que, se forem unidos, fizerem um grupo coeso, penso que podemos ultrapassá-los», frisou, reconhecendo que «os favoritos são sempre os mesmos».

Apesar de ter poucas recordações profissionais de Paulo Bento, com quem, aos 18 anos, partilhou o balneário no Benfica durante a época 1995/96, Maniche elogia o «excelente trabalho» do atual selecionador, escusando-se a comparar o atual timoneiro da equipa das “quinas” com o brasileiro Luiz Felipe Scolari.

«O Scolari era mais emocional, ia mais pelo psicológico. Para estar na seleção era preciso ser bom jogador, mas jogava muito com o emocional e isso é muito importante nesses momentos. É preciso ter a frieza para abstrair e o Scolari fazia isso muito bem. É a maneira de ser de cada pessoa. O Paulo tem uma maneira de ser mais calma, mais tranquila. O Scolari tem aquela maneira mais ‘agressiva’. Isso é a personalidade de cada um e cada um tem os seus métodos. O Paulo e o Scolari não são comparáveis», concluiu.

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