Foi mais de um mês a correr milhares de quilómetros por França fora. Se achávamos que estaríamos por lá até ao final do Europeu? Provavelmente não. Se acreditávamos que poderia vir a acontecer? Claro que sim, principalmente depois daquelas já tão célebres palavras de Fernando Santos.

Nós, jornalistas, só voltámos para Portugal a 11 de julho, como os nossos heróis. Não fomos recebidos por um mar de gente na Alameda Dom Afonso Henriques, mas o orgulho que sentimos pelo trabalho feito, pelos longos dias de reportagem e longas noites passadas a editar o Magazine do Euro para o nosso SAPO Desporto fez-nos sentir tão campeões europeus como os jogadores, a equipa técnica, os milhões de portugueses que ao longo de um mês histórico roeram unhas como nunca, gritaram como nunca, choraram de alegria como nunca.

Para trás ficou Marcoussis, um local a que um dia voltaremos e que terá sempre um lugar especial nas nossas carreiras, sejam elas quão longas forem. Ficou Saint-Étienne, Paris, Lyon, Lens, Marselha, Lyon de novo. Ficou o Stade de France, onde os sonhos foram reais. Ficaram os dias de chuva que tivemos de contornar, fosse como fosse, para nunca falharmos no compromisso de oferecer a cada um dos leitores o nosso programa diário. Ficaram as horas em centros de imprensa, os litros de café, as curtas horas de sono divididas entre os alojamentos e o carro.

E, por muito que nos custe, ficaram para trás as pessoas extraordinárias com quem nos cruzámos e cujas histórias tivemos o privilégio de contar: os portugueses que, na Rádio Alfa, ajudam toda a comunidade portuguesa a manter a ligação diária à pátria amada; a heróica porteira que abriu as portas a todos na infame noite do Bataclan; as dezenas de adeptos que passavam o dia, de sol a sol, às portas do centro de treinos de Marcoussis, sem garantias de um autógrafo que fosse, uma fotografia, nem sequer um vislumbre de um craque da seleção à distância.

Corremos França - que tão bem nos recebeu - de lés a lés até ao tal último dia do Stade de France. Não estive no interior do estádio (o SAPO Desporto esteve maravilhosamente representado no jogo da final pelo meu colega João Paulo Godinho). Vi as lágrimas de Ronaldo e a luva branca de Éder num modesto café às portas do recinto de Saint-Denis. Eu e os portugueses que não tiveram bilhete para ver o jogo mas ainda assim quiseram estar o mais perto possível do estádio para fazerem parte da festa, na qual nunca deixaram de acreditar. O apito final soou (e tão longos foram aqueles segundos finais), contrariei o impulso de colocar um cachecol aos ombros e ir festejar noite fora com todos os meus compatriotas, para poder dar conta, em Portugal, de como foi a festa em Paris na noite mais bonita da história do futebol português. E tão bonita que foi.

Gaspar Castro foi um dos jornalistas destacados pelo SAPO Desporto para cobrir a campanha da Seleção Portuguesa no Euro 2016. Colabora agora com o zerozero.pt.

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