O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não vai assistir ao jogo do europeu de futebol Portugal-Bélgica, no domingo, em Sevilha, região espanhola que tem risco elevado de covid-19, disse hoje à Lusa fonte da Presidência.

Fonte da Presidência disse à Lusa que Marcelo Rebelo de Sousa optou por não se deslocar a Sevilha atendendo à situação epidémica na Andaluzia.

Também o presidente da Assembleia da República, que chegou a apelar aos portugueses que se deslocassem de “forma massiva a Sevilha” e abriu uma polémica política, decidiu não ir, segundo disse à Lusa fonte do gabinete de Ferro Rodrigues.

Numa nota, o gabinete do presidente da Assembleia da República justificou que, com a decisão de Marcelo de não ir assistir ao jogo, Ferro, sendo o seu convidado, também não se deslocará a Espanha.

No entanto, disse esperar, “em qualquer caso, que o número de portugueses em Sevilha seja elevado”.

“Não gostou, em Budapeste, de ver 80% dos presentes contra a nossa seleção. E Sevilha é muito mais próxima. Portugal não é Lisboa. A sul do Tejo existem e vivem milhões de portugueses”, lê-se na nota.

A polémica depois do apelo

Depois do jogo frente à França, Ferro Rodrigues apelou a que os portugueses comparecessem de forma massiva em Sevilha, Espanha, onde Portugal vai jogar o jogo dos oitavos de final do Euro2020 contra a Bélgica.

"Espero que os portugueses se desloquem de forma massiva para o sul de Espanha e que possam apoiar uma grande vitória de Portugal nos oitavos de final deste Campeonato da Europa", disse.

Um apelo que Ferro Rodrigues reforçou ontem, no final do plenário na Assembleia da República.

“Vamos então terminar a sessão. Agradeço a todos a cooperação prestada e até para a semana. Muito obrigado. Bom fim de semana a todos. Os que puderem em Sevilha, claro”, afirmou.

Na quinta-feira, em Guimarães, questionado sobre estas declarações do presidente da Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa não apontou críticas.

"Eu acho que aquilo foi a expressão de uma ideia que nós percebemos que é os que puderem ir que vão para termos um apelo significativo à seleção, mas está implícito que respeitem as regras e que só vão aqueles que possam ir, foi assim que eu li", declarou então.

"Eu próprio já que tinha dito ontem [quarta-feira] que gostava muito de ir, pensei para comigo mesmo que eu só vou se o morador em Lisboa comum puder ir, se não puder ir, não vou", disse.

O projeto de resolução para assentimento do parlamento à deslocação do chefe de Estado a Sevilha foi aprovado com os votos favoráveis de todas as bancadas, mas teve a abstenção do deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo.

A frase de Ferro Rodrigues originou críticas de Rio Rio (PSD) e Rodrigues dos Santos (CDS).

Ainda na sexta-feira, fonte da Presidência disse à Lusa que Marcelo tem Certificado Digital Covid, mas que estava a analisar a situação pandémica em Sevilha para decidir sobre a sua deslocação no domingo para assistir ao jogo da seleção portuguesa de futebol.

A ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, no final do Conselho de Ministros de quinta-feira, quando confrontada com este apelo, escusou-se a comentar, alertando para o “momento crítico da evolução da pandemia”.

“Eu não comento aqui, nunca comento declarações de outros órgãos de soberania”, começou por responder a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, na conferência de imprensa que decorreu após o Conselho de Ministros. A governante aproveitou para avisar que “este é um momento crítico da evolução da pandemia” em Portugal.

Também o primeiro-ministro, António Costa, recusou comentar o apelo do Assembleia da República.

“As televisões estão já cheias de comentadores […] e eu acho que os responsáveis políticos devem concentrar-se na função respetiva de cada um e não se andarem a comentar uns aos outros. Não é meu hábito comentar titulares de órgãos de soberania e não vou abrir exceção”, afirmou António Costa.

Falando em declarações à imprensa portuguesa em Bruxelas no final de um Conselho Europeu de dois dias, o chefe de Governo acrescentou ainda assim que “o comportamento de cada um é essencial” para combater a pandemia de covid-19.

“O que tenho dito desde o princípio da pandemia e continuarei a dizer até a pandemia estar extinta – não sabemos quando será – é que temos de ir adotando os comportamentos e as medidas em função da evolução da pandemia, [pelo que] não podemos descurar medidas de proteção individual como a máscara, mesmo estando vacinados, ou a higiene das mãos e a distância física”, elencou.

Por essa razão, “se isso for feito e se os eventos se realizarem de forma civilizada, […] os riscos são mais diminutos”, defendeu António Costa, que vai ver o jogo em casa, em Lisboa.

A Andaluzia, que recebe no domingo o jogo entre as seleções de Portugal e Bélgica, apresenta um risco elevado de covid-19, com uma taxa de incidência de novas infeções de 166,50, de acordo com os últimos dados oficiais espanhóis.

Esta comunidade autónoma é a que regista uma incidência acumulada de novas infeções a 14 dias mais elevada em Espanha, indicam os dados do Ministério da Saúde de quinta-feira, tendo sido notificados, nas últimas duas semanas, cerca de 14 mil novos casos de covid-19.

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*Última atualização às 14h08

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