Depois de duas fases de apuramento para o Mundial 2022 repletas de sangue, suor e lágrimas - de felicidade - a seleção portuguesa entra para os últimos dois jogos de qualificação do Euro 2024 com a liderança garantida do grupo J, do qual fazem também parte a Eslováquia, o Liechtenstein e o Luxemburgo. Desta vez, disso não haja dúvidas, a calculadora fica em casa.

Um privilégio conquistado a pulso depois de oito jogos a vencer e com reconhecida nota artística em quase todos eles. O percurso é, de facto, muito positivo, mas está longe de ser uma surpresa para Roberto Martínez. O técnico espanhol nunca perdeu numa fase de qualificação de uma grande prova enquanto selecionador.

Entre Bélgica e Portugal, com dois europeus e dois mundiais no currículo, já são 36 jogos com 33 triunfos e três empates. Mas faltam dois jogos e o registo pode não ficar por aqui. Para já segue-se o Liechtenstein e com estreias à vista.

A titularidade de José Sá, a estreia de João Mário e o regresso de Bruma

Garantido o apuramento, o objetivo passa, naturalmente, por fechar o grupo com um percurso imaculado. Para tal, Roberto Martínez não abdicou de chamar os habituais pesos pesados, mas com algumas surpresas nas convocatórias e já com uma titularidade confirmada.

O dono e senhor da baliza lusitana, Diogo Costa, vai ceder o lugar a José Sá, que se estreia pela equipa A de Portugal aos 30 anos. O guarda-redes do Wolverhampton é presença assídua nas convocatórias, mas só agora irá vestir a camisola da seleção portuguesa, naquela que será a sua primeira internacionalização A. A confirmação foi avançada pelo próprio em conferência ao longo desta semana com o consentimento do técnico espanhol.

Menos razões para sorrir terá Pepe. O central portista de 40 anos voltou a marcar presença na convocatória, mas o nome do experiente internacional acabou por sair da lista após a lesão contraída ao serviço do FC Porto no último jogo dos dragões em Guimarães, frente ao Vitória SC. Matheus Nunes, médio do Manchester City, também estava nas opções, mas acabou por ser dispensado dos trabalhos por indicação do departamento médico.

Diogo Dalot acabou por ser retirado das opções de Martínez para poder assistir ao nascimento da filha, o que permitiu a João Mário ser chamado à seleção A pela primeira vez. Espera-se por isso que o lateral dos azuis e brancos possa estrear-se com a camisola das quinas, assim como Toti Gomes, defesa dos “wolves”, que apesar de já ter sido chamado por Martínez noutras convocatórias nunca chegou a entrar em campo. Destaque ainda para o regresso de Bruma, extremo do Sporting de Braga, que não era chamado à equipa das quinas desde 2019, ainda sob o comando de Fernando Santos.

Momento de forma

Portugal

Diz a voz popular que a perfeição não existe, mas dificilmente Portugal poderia ter feito melhor nos oito jogos já disputados nesta fase de qualificação. Com um registo 100% vitorioso que lhe permitiu garantir o primeiro lugar do grupo, a seleção portuguesa encara serenamente os últimos dois jogos de qualificação. Para trás ficam 32 golos marcados e apenas 2 sofridos. Pelo meio, nota para três goleadas: com a formação luxemburguesa por 0-6 e 9-0 e diante da Bósnia Herzegovina por 5-0, última partida da seleção realizada há um mês.

Liechtenstein

Um autêntico desastre. Assim tem sido a caminhada do Liechtenstein nesta fase de qualificação. A seleção comandada desde maio do ano passado por Konrad Funfstuck é uma das cinco que ainda não pontuou na fase de qualificação do Europeu. Em março perdeu por 4-0 em Lisboa, mas o resultado mais negativo foi frente à Islândia com um redondo 7-0. Não é por isso de estranhar que esta seleção alpina, 200.ª classificada no Ranking FIFA, nunca tenha disputado a fase final de qualquer grande competição. E ainda não será desta. Para já, 0 pontos, 25 golos sofridos e apenas um golo marcado.

Histórico de confrontos

Oito jogos: sete vitórias e um empate. Portugal nunca perdeu com o Liechtenstein e por isso perspetiva-se mais um encontro de sentido único. A diferença de qualidade entre as seleções é absolutamente abismal e os números comprovam-no: 39 golos marcados, apenas 3 sofridos. Destaque para três goleadas, duas por 8-0, outra por 7-0 e, como já foi referido, para uma divisão de pontos após um insólito 2-2, em 2006, na fase de grupos do Mundial da Alemanha. Na primeira volta, no Estádio de Alvalade, 4-0 foi o resultado final.

O penúltimo jogo de apuramento está marcado para esta quinta-feira, às 19h45, em Vaduz, capital do Liechtenstein. A partida antecede a 10ª e última jornada da fase de qualificação com Portugal a receber a seleção luxemburguesa no Estádio de Alvalade, no próximo domingo à mesma hora. Para os dois jogos, as contas são simples e, desta vez, fazem-se de cabeça. Venham de lá mais seis pontos porque o próximo Europeu, esse, já não escapa. Máquina de calcular? Não, obrigado.

O que dizem os treinadores

Konrad Funfstuck, selecionador do Liechtenstein: "O Liechtenstein, em termos de tamanho, é como se fosse um pequeno bairro de Lisboa. Por isso, claro, temos menos opções. Portugal é uma das melhores equipas do mundo. Tem excelentes jogadores em todas as posições. Não é só o Ronaldo que é incrível, são muitos outros também."

Roberto Martínez, selecionador de Portugal: Estamos cá para ganhar o jogo. Os jogadores sabem que está caro estar aqui. E, por isso, sabem que a concentração e o seu comportamento tem de estar sempre no máximo. Por isso, espero o mesmo compromisso que tiveram nos outros jogos. São jogos importantes para entrar na lista de jogadores que vão estar no Europeu"

O Liechtenstein-Portugal está marcado para as 19h45 desta quinta-feira e pode ser acompanhado, ao minuto, no SAPO Desporto. O sueco Mohammed Al-Hakim foi o árbitro designado pela UEFA para dirigir a partida em Vaduz.