O português João Paulo Costa, campeão angolano de futebol ao serviço do Recreativo do Libolo, assumiu à Lusa o desejo de voltar a vencer o Girabola num país onde foi bem acolhido e no qual se sente feliz.

Depois de cerca de 20 anos em que conciliou a tarefa de treinador com a de professor, João Paulo Costa partiu em 2014 para Angola, assumindo funções de técnico-adjunto no Libolo, mas a meio da temporada assumiu o comando técnico da equipa angolana e venceu o campeonato.

A realizar um estágio com a sua equipa em Portugal, em Rio Maior, o português de 43 anos explicou que foi graças à estrutura técnica, que lhe permitiu ter "um grupo forte", que a mudança correu bem.

"O balanço é positivo, iniciei o ano como treinador adjunto, depois na pausa a direção entendeu mudar, assumimos a responsabilidade do grupo. Em termos de estrutura técnica a direção deu um grupo forte para que a mudança corresse bem e os jogadores também responderam bem", afirmou à Lusa.

Apesar de ser campeão em título, João Paulo Costa esclareceu que embora a equipa esteja a trabalhar para "no final do ano festejar mais títulos", explicou que os adversários estão mais fortes para lutar pelo título.

"[O Libolo] Tem aspetos de melhoria como qualquer projeto, e é isso que vamos tentar fazer este ano para que a nossa consistência seja cada vez mais evidente (...) Há mais gente a querer ser campeão, mas o nosso dever face à história do clube é afirmarmo-nos também com essa mesma ambição", sublinhou.

Sobre a Liga dos Campeões africanos, João Paulo Costa mostrou-se focado somente em passar a primeira eliminatória, não rejeitando contudo que gostava de encontrar os egípcios do Al-Ahly, uma vez que são treinados pelo também português José Peseiro.

"[A Liga dos Campeões africanos] É uma competição com um conjunto de características extremamente particulares, até por aquilo que é a heterogeneidade das equipas que compõe África. Vamos à Guiné Equatorial, não temos muita informação sobre a equipa com quem vamos jogar, mas o nosso objetivo é passo a passo, focarmo-nos na primeira eliminatória até porque seria extremamente engraçado também cruzar-me com um grupo de amigos que estão no Al-Ahly do Egipto onde iríamos ter também duas equipas técnicas portuguesas a jogar a competição africana", explicou.

O treinador de 43 anos, que cumpre a sua primeira experiência no estrangeiro, fez questão de salientar a forma como é tratado pelos angolanos, carinho que considera importante para minimizar as saudades da família, tal como o facto de a equipa técnica ser totalmente portuguesa.

"Toda a estrutura técnica são pessoas que me enquadraram muito bem e são pessoas que me facilitaram naquilo que são as particularidades de não só de viver em Angola, como a particularidade de viver em Calulo, um espaço acolhedor pelas pessoas, mas cujas características de espaço são muito específicas e não comparáveis com as que temos em Portugal. Em termos sociais e humanos, sinto um carinho muito especial pelas pessoas de Calulo pela forma como me receberam (...) A relação tem sido muito boa e essas pessoas ajudaram-me a combater a solidão e saudade, que é duro, não vamos fugir a isso", afirmou.

João Paulo Costa, que sublinhou ser feliz em Angola, justificou só agora estar a treinar a tempo inteiro devido à sua opção pela "via académica" na qual foi professor na Escola Superior de Desporto de Rio Maior.

"Nunca é tarde para as coisas acontecerem (...). Já poderia ter acontecido algo diferente, mas nós somos escravos das nossas decisões. E eu escolhi há uns anos atrás que ia seguir a via académica e formação de treinadores. Agora surgiu esta oportunidade que já tinha acontecido em anos anteriores e que eu tinha optado [por não aceitar]. Ninguém faz o caminho por nós, temos que tentar dar os passos em função do tamanho da nossa perna e a partir daí acreditar que a qualquer momento poderá acontecer alguma coisa", reiterou.

O Recreativo do Libolo cumpre em Portugal o estágio de pré-temporada até ao dia 01 de fevereiro, onde treinará para além de Rio Maior, no Algarve, e em Lisboa, tendo vários particulares agendados.

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