O Futebol Clube de Barcelona “condenou” as ações de hoje que possam impedir o exercício democrático na Catalunha, dando o seu apoio ao que considera ser o desejo da “maioria dos catalões”, que defendem a autodeterminação da região.

“Na sequência dos acontecimentos dos últimos dias e, principalmente, de hoje, o FC Barcelona […], mantendo-se fiel aos seus compromissos históricos em defesa da nação, da democracia, da liberdade de expressão, e da autodeterminação, condena qualquer ato que possa impedir o exercício em liberdade desses direitos”, declara o clube em comunicado à imprensa.

O presidente do FC Barcelona, Josep Maria Bartomeu, já tinha defendido em maio último a adesão do clube ao movimento pelo referendo de independência da Catalunha, dizendo que o emblema “não pode virar costas” à realidade política da região autónoma.

Ainda assim, Bartomeu considera que o apoio ao referendo não implica um posicionamento em relação à questão por parte do ‘Barça’, que não pode ser partidário, pelo que a adesão significa “ser barcelonista e ser catalão”.

A polícia espanhola realizou hoje uma operação que incluiu a revista de uma série de edifícios do Governo regional, tendo ainda detido 14 pessoas alegadamente envolvidas na preparação do referendo marcado contra a vontade de Madrid.

O presidente do executivo regional (Generalitat), Carles Puigdemont, já acusou Madrid de atuar com uma “atitude totalitária” e assegurou que irá manter os preparativos do referendo de autodeterminação.

Por seu lado, o chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, justificou a ação da polícia com a aplicação das leis e o Estado de direito.

Mariano Rajoy insistiu que a operação foi decidida pelo poder judicial para garantir o cumprimento da lei, tendo apelado ao respeito pelo Estado de direito.

Os acontecimentos desta manhã em Barcelona são o último episódio da tensão crescente entre Madrid e os separatistas da Catalunha.

O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu no início do mês, como medida cautelar, todas as leis regionais aprovadas pelo Parlamento e pelo Governo da Catalunha que davam cobertura legal ao referendo de autodeterminação convocado para 01 de outubro próximo.

Os partidos separatistas têm uma maioria de deputados no parlamento regional da Catalunha desde setembro de 2015, o que lhes deu a força necessária, em 2016, para declararem que iriam organizar este ano um referendo sobre a independência, mesmo sem o acordo de Madrid.

Os independentistas defendem que cabe apenas aos catalães a decisão sobre a permanência da região em Espanha, enquanto Madrid se apoia na Constituição do país para insistir que a decisão sobre uma eventual divisão do país tem de ser tomada pela totalidade dos espanhóis.

O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com um PIB superior ao de Portugal, cerca de 7,5 milhões de habitantes, um terço da área de Portugal, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas.

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