O FC Porto entrou com o 'pé esquerdo' na edição 2020/21 da Liga dos Campeões ao perder com o Manchester City por 3-1, em encontro da 1.ª ronda do Grupo C da prova. No Ethiad, os 'dragões' fizeram uma grande primeira parte, criando três oportunidades de golo mas só conseguiram marcar por Luis Diaz, que deu vantagem aos campeões portugueses. Aguero empatou ainda no primeiro tempo, num penalti muito contestado, Gundogan e Ferrar Torres fizeram os outros tentos no segundo tempo. Este foi 21.º jogo em Inglaterra e a 18.ª derrota para o FC Porto, num país onde nunca venceu para as provas da UEFA.

Terceiro jogo sem vencer do FC Porto, depois do empate no clássico com o Sporting e da derrota em casa com o Marítimo, todos para I Liga.

Inovador 3-5-2 e... grande primeira parte

Estatística. Esta era a palavra que Conceição não queria ouvir na antevisão do encontro, mas era impossível contorna-la: nunca, em momento algum, o FC Porto vencera em solo inglês para as provas da UEFA. E frente a este riquíssimo Manchester City, o historial também não era animador: em 2012, numa eliminatória entre ambos na Liga Europa, os 'dragões' perderam no Ethiad por 4-0.

Para contrariar a história e os números da estatística, Sérgio Conceição montou uma equipa à... Manchester City. Um 3-5-2 que, em processo defensivo, transformava-se num 5-4-1, com Marega sozinho na frente e Luis Diaz a fechar na ala. Sarr estreou-se na equipa, formando um trio de centrais com Pepe e Mbemba, Corona voltou a ser lateral/ala direito. O jovem Fábio Vieira foi a principal surpresa, atuando na zona intermédia, num lugar que devia ser de Otávio mas o brasileiro nem no banco esteve.

O povoamento da zona central impedia os 'citizens' de explorar essa zona, onde são muito fortes. Nas alas, Zaidu e Corona tinham a ajuda de Luis Diaz e Fábio Vieira para travar Sterling e Mahrez. De referir que os portugueses do City estavam em campo: Rúben Dias, João Cancelo e Bernardo Silva.

O 3-5-2 tinha também a preocupação de pressionar o City na primeira zona de construção com mais efetividade. E foi assim que surgiu o 1-0. Rúben Dias perdeu para Uribe, o colombiano meteu logo em Luis Diaz para uma atuação a solo do seu colega de seleção: arrancou, foi deixando adversários para trás durante 40 metros antes de disparar, já dentro da área, para o 1-0. Um golaço! Onze anos depois, o FC Porto marcava um golo em Inglaterra: o último tinha sido o argentino Mariano Gonzalez, nesta mesma cidade, no empate 2-2 com o Manchester United, para a Champions. Jesualdo era o treinador.

Feito o mais difícil, era importante aguentar as primeiras reações dos vice-campeões ingleses. Não aconteceu. Aos 17 minutos, após vários ressaltos, Pepe fez falta sobre Sterling dentro da área, depois de um remate ao poste. O lance devia ser anulado pelo VAR já que Gundogan pisa Marchesin, antes de a bola chegar a Sterling. Após conversa com o VAR, o letão Aleksandrs Golubevs, o árbitro do encontro, Andris Treimanis, da Lituânia, assinalou mesmo penálti, que Aguero converteu, fazendo o seu 40.º golo na Champions. Marchesin ainda tocou na bola mas insuficiente para parar o tiro do seu colega de seleção, aos 20 minutos.

Um lance muito contestado pelos campeões portugueses, que pediam falta mas o VAR assim não entendeu, após conversa com o árbitro. Pouco tempo depois, em lance semelhante no meio-campo, o lituano Andris Treimanis já marcou falta de Walker sobre Marega e mostrou amarelo ao inglês. Dois lances iguais com interpretações diferentes, em prejuízo para os portugueses.

A pressão portista podia ter dado resultado aos 23 minutos. Ederson fez um mau passe, Uribe recuperou e rematou de pronto, para fora, quando até tinha colegas em melhores posições. Uma grande oportunidade desperdiçada. A outra perdida veio no minuto 44: Corona lançou Marega que fez bem a diagonal entre os defensores, meteu logo na área onde apareceu Rúben Dias a cortar mas para a sua baliza. Em cima da linha apareceu Kyle Walker a afastar o esférico.

Ao intervalo, o resultado era lisonjeiro para... o Manchester City, que tinha feito três remates (apenas um enquadrado) contra cinco do FC Porto.

'Dragão' sem fôlego no segundo tempo

O segundo tempo arrancou com um forte remate de Bernardo, de fora área, para boa defesa de Marchesin, aos 50, e com um sprint de Luis Diaz, aos 53, mas o colombiano perdeu-se em fintas e a bola, quando se lhe pedia o passe para dois dos colegas que o acompanhavam no ataque.

Com maiores dificuldades para sair, Conceição trocou Luis Diaz por Manafá, adiantando Corona no terreno. Mas viria a ser o City a marcar, aos 64 minutos, em outro lance contestado pelos 'dragões'. O juiz do encontro assinala falta de Fábio Vieira em zona perigosa, Gundogan mostrou qualidade e fez um golaço, aos 64 minutos, de livre direto.

Já com Ferran Torres e Phill Foden nos lugares de Aguero e Gundogan, os 'citizens' fizeram o terceiro golo aos 73 minutos. Manafá estava fora do seu lugar, Foden meteu em Ferrán Torres que deu um 'nó' em Pepe e atirou a contar. 3-1, resultado castigador para o que o FC Porto tinha feito até então.

Reagiu Conceição de imediato, lançando Nanu, Nakajima, Taremi e Evanilson, nos postos de Zaidu, Corona, Fábio Vieira e Sarr, para jogar os derradeiros 12 minutos em 4-4-2. Era o tudo ou nada. De uma assentada, o técnico estreava cinco jogadores na Liga dos Campeões. A verdade é que o FC Porto perdeu identidade, deu mais espaço para os ingleses e só não sofreu mais porque não calhou.

Viria a ser o City a estar perto do golo, em duas ocasiões mas Marchesin negou as intenções a Rodri (remate defendido para o poste) e Marehz.

Terceiro jogo do FC Porto sem vencer, depois da derrota com o Marítimo em casa e o empate 2-2 com o Sporting. Conceição tem de estar preocupado com a forma como a equipa defende: em cinco jogos, sofreu nove golos.

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